Denúncias de assédio sexual envolvendo alunas em escolas cívico militares do Paraná trouxeram à tona uma preocupação urgente sobre a segurança, o bem estar e a proteção de crianças e adolescentes no ambiente escolar. Relatos de estudantes e de familiares indicam que policiais militares que atuavam como monitores teriam praticado abordagens inadequadas, toques indevidos e comentários ofensivos contra meninas com idades entre 11 e 13 anos.
Em um dos casos que ganharam maior repercussão nacional, alunas relataram que chegaram a ser comparadas a prostitutas, afirmação que causou revolta entre pais, professores e entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente. As denúncias apontam ainda para um ambiente de intimidação e medo, onde as vítimas teriam se sentido desencorajadas a relatar os abusos de forma imediata.
Segundo reportagens do portal Terra, as acusações foram formalizadas e o caso passou a tramitar sob segredo de Justiça, justamente por envolver menores de idade. Mesmo assim, informações revelam que houve demora na adoção de providências administrativas, o que ampliou o sentimento de insegurança dentro da comunidade escolar. O monitor militar acusado acabou sendo desligado do programa somente meses após a denúncia inicial.
O episódio reacende o debate sobre o modelo de escolas cívico militares, adotado pelo governo do Paraná com o discurso de reforço da disciplina e da segurança. Especialistas em educação e direitos humanos alertam, no entanto, que a presença de agentes com formação militar em ambientes escolares exige critérios rigorosos de seleção, acompanhamento psicológico, capacitação contínua e mecanismos claros de fiscalização.
Entidades representativas de educadores e organizações da sociedade civil destacam que não se trata de um caso isolado. Há registros de procedimentos abertos pelo Ministério Público do Paraná para apurar denúncias de abuso de autoridade e condutas inadequadas em outras unidades de ensino com gestão militarizada. A falta de transparência sobre o número de ocorrências e de investigações em andamento é apontada como um fator que dificulta o controle social e a prevenção de novos casos.
Para especialistas, a escola deve ser um espaço de acolhimento, proteção e desenvolvimento humano, livre de qualquer forma de violência física, psicológica ou sexual. Quando denúncias dessa gravidade surgem, a resposta do Estado precisa ser rápida, firme e transparente, garantindo apoio às vítimas e responsabilização exemplar dos envolvidos.
O caso do Paraná levanta um alerta nacional sobre os limites e riscos da militarização do ensino público, sobretudo quando não há fiscalização efetiva e protocolos claros de proteção à infância. Para mães, pais e responsáveis, permanece a cobrança por justiça, esclarecimentos e pela garantia de que situações semelhantes não voltem a ocorrer dentro das escolas brasileiras.




