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Copa 2030 sob pressão: Marrocos é acusado de planejar o abate de 3 milhões de cães

De acordo com o dossiê apresentado à FIFA, o suposto plano envolveria operações de captura em larga escala e métodos considerados cruéis, incluindo envenenamento e disparos com arma de fogo

Foto: Nick Steinbuch/Getty Images

A realização da Copa do Mundo FIFA de 2030, que terá o Marrocos como um dos países-sede ao lado de Espanha e Portugal, está no centro de uma grave denúncia internacional que mobiliza ativistas e defensores dos direitos dos animais em todo o mundo. Segundo reportagem do portal Metrópoles, organizações de proteção animal acusam o país africano de planejar o abate de até 3 milhões de cães de rua como parte dos preparativos para o Mundial.

As acusações são lideradas pela International Animal Welfare and Protection Coalition, com apoio de entidades como a PETA. De acordo com o dossiê apresentado à FIFA, o suposto plano envolveria operações de captura em larga escala e métodos considerados cruéis, incluindo envenenamento e disparos com arma de fogo. Ativistas afirmam ter reunido imagens, documentos e testemunhos que apontam para ações sistemáticas em diversas cidades marroquinas, inclusive em regiões próximas a Marrakech.

Historicamente, estimativas indicam que cerca de 300 mil cães já eram mortos anualmente no país em políticas municipais de controle populacional. O que preocupa as organizações é a alegação de que esse número teria aumentado significativamente após a confirmação do Marrocos como sede do torneio. Para os defensores dos animais, a justificativa de “reordenamento urbano” não pode servir de argumento para práticas que consideram desumanas e incompatíveis com padrões internacionais de bem estar animal.

O governo marroquino nega veementemente a existência de qualquer plano oficial de extermínio vinculado à Copa do Mundo. Autoridades afirmam que adotam programas de captura, esterilização e vacinação como forma de controle populacional e sustentam que não há política estatal de eliminação em massa. A FIFA declarou que acompanha a situação e mantém diálogo com autoridades e organizações independentes, reforçando que compromissos assumidos no processo de candidatura incluem respeito a critérios internacionais de responsabilidade social.

A controvérsia reacende um debate mais amplo sobre a gestão de cães de rua em países com desafios estruturais de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde recomenda estratégias sustentáveis de vacinação e esterilização como formas eficazes de controle da raiva e da superpopulação, destacando que o abate indiscriminado não resolve o problema a longo prazo e pode gerar novos ciclos de abandono e reprodução descontrolada.

Para organizações de defesa animal, a questão ultrapassa números e estatísticas. Trata se de vidas sencientes, capazes de sentir dor, medo e sofrimento. Grandes eventos esportivos, que deveriam celebrar união e valores humanos, não podem ser associados a práticas que afrontem princípios éticos básicos. A pressão internacional cresce com campanhas, abaixo assinados e mobilizações que pedem transparência, fiscalização independente e a adoção de políticas humanitárias permanentes.

Enquanto versões oficiais e denúncias seguem em confronto, a polêmica coloca a Copa de 2030 sob um olhar atento da comunidade global. Antes mesmo de a bola rolar, a discussão que ecoa é outra: desenvolvimento e visibilidade internacional não podem caminhar à custa da vida de milhões de animais. O mundo observa, e a resposta que será dada a essa crise poderá marcar não apenas a história do torneio, mas também o compromisso das nações com a compaixão e o respeito à vida.

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