Home Fabrício Moreira da Costa A Dança da Janela Partidária

A Dança da Janela Partidária

No meio dessa dança de cadeiras, teve ainda quem jurasse fidelidade pela manhã e, antes do pôr do sol, já estivesse ensaiando novos passos em outra sala. Na política, a memória às vezes é curta e o compasso muda rápido. O que ontem era convicção hoje vira estratégia, e amanhã pode muito bem virar saudade

Foto: Freepik

Sempre refleti esse período de janela partidária como se fosse o primeiro turno das eleições. É ali que se mede quem ganhou mais adesões, quem colecionou filiações e quem simplesmente desapareceu, dissolvido na política como açúcar em copo d’água, virando suco antes mesmo da campanha começar.

Como já escrevi neste canto de página, gestão é trabalho, mas eleição é movimento. E, convenhamos, como se mexeu esse tabuleiro nesses dias de peleja pré-campanha no Ceará. Foi gente indo, gente vindo, gente chegando de mala e cuia, tudo na tentativa de garantir a sobrevivência política e partidária.

Alguns conseguiram segurar o rebanho. Outros, pasme, não deram conta de fechar a porteira. Viram seus correligionários escorrerem pelos dedos e acabaram virando suco para quem estava com sede de reforço. Teve surpresa, sim. Mas também muita coisa previsível. Aliás, há coisas tão óbvias na política quanto no semáforo: depois do verde vem o amarelo, e logo em seguida o vermelho. Basta ter paciência para esperar a troca das luzes.

E os grupos de WhatsApp, que hoje funcionam como verdadeiras torres de observação da política, ficaram em polvorosa. Lideranças acompanhando os passos umas das outras, comentando cada movimento, desde a saída de Luizianne Lins para novos braços políticos até a despedida de Nelinho dos quadros do MDB.

Teve também aquele tipo raro de atleta político: tomou café da manhã com a base do governo, café da tarde com a oposição e, na hora do jantar, não se encontra nem com um nem com outro. Muito pelo contrário. Um verdadeiro samba do crioulo doido.

No meio dessa dança de cadeiras, teve ainda quem jurasse fidelidade pela manhã e, antes do pôr do sol, já estivesse ensaiando novos passos em outra sala. Na política, a memória às vezes é curta e o compasso muda rápido. O que ontem era convicção hoje vira estratégia, e amanhã pode muito bem virar saudade.

E assim segue o espetáculo, com plateia atenta, comentaristas de ocasião e analistas de grupo de WhatsApp fazendo suas apostas como se estivessem na arquibancada de um clássico decisivo. Cada movimento vira assunto, cada filiação ganha ares de gol no último minuto.

Mas, até chegar o dia da eleição, ainda tem muito chão pela frente. E como diria o Zé Limeira, amigo do Totó: “é muito pau, é muito pau, meu fi”. Porque, em política, quando a banda começa a tocar, sempre aparece mais gente querendo dançar.

Deixe seu comentário:

Please enter your comment!
Please enter your name here