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IBGE: percentual de estudantes de 15 a 17 anos que trabalham cai para menos de 5% no Ceará

O maior índice foi observado em 2019, quando 10,1% dos jovens cearenses estudavam e trabalhavam simultaneamente

Foto: Arquivo/Agência Brasil

O número de adolescentes cearenses entre 15 e 17 anos que conciliam os estudos com alguma atividade de trabalho registrou forte redução na última década. Dados divulgados nesta sexta-feira, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que esse contingente caiu de cerca de 32 mil jovens em 2016 para 16 mil em 2025.

As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) Educação 2025 e revelam que o percentual de estudantes ocupados nessa faixa etária atingiu o menor patamar da série histórica analisada. O maior índice foi observado em 2019, quando 10,1% dos jovens cearenses estudavam e trabalhavam simultaneamente.

A faixa dos 15 aos 17 anos corresponde ao período considerado adequado para cursar o Ensino Médio, conforme as diretrizes do Ministério da Educação (MEC) e do Plano Nacional de Educação (PNE). No Ceará, a participação de estudantes no mercado de trabalho vinha diminuindo ao longo dos anos, embora tenha ocorrido uma elevação temporária em 2024, quando cerca de 23 mil adolescentes estavam ocupados.

Naquele ano, o governo federal lançou o programa Pé-de-Meia, iniciativa voltada a estudantes de baixa renda matriculados na rede pública de Ensino Médio. A proposta oferece incentivos financeiros para estimular a permanência dos jovens na escola e reduzir a necessidade de ingresso precoce no mercado de trabalho.

A política busca minimizar o impacto da contribuição financeira esperada por muitas famílias, permitindo que os estudantes dediquem mais tempo à formação escolar. Em março deste ano, um estudo indicou que o programa pode contribuir para que o Ceará alcance uma das menores taxas de evasão escolar do país, sobretudo entre alunos em situação de vulnerabilidade social.

Apesar disso, a PNAD Educação não estabelece uma relação direta entre a queda do trabalho juvenil e a implementação do benefício. A pesquisa se limita a coletar, periodicamente, informações sobre frequência escolar e outras características educacionais da população com cinco anos ou mais.

Em âmbito nacional, mais de um milhão de estudantes de 15 a 17 anos exerciam alguma atividade de trabalho em 2025. Os maiores contingentes foram registrados em São Paulo, com 225 mil jovens ocupados, seguido por Minas Gerais (141 mil) e Bahia (80 mil).

Com 16 mil adolescentes nessa condição, o Ceará aparece na 17ª posição entre os estados brasileiros em números absolutos. Quando analisada a proporção em relação ao total de estudantes da faixa etária, o estado apresenta um dos menores índices do país, com 4,4%, atrás apenas do Rio Grande do Norte (3%) e do Rio de Janeiro (3,7%).

Na outra ponta, os maiores percentuais de estudantes que acumulam estudo e trabalho foram observados em Santa Catarina (24,3%), Mato Grosso (21,8%), Rio Grande do Sul (19,7%), Goiás (19,5%) e Paraná (19%).

Os dados do IBGE também mostram avanço na permanência escolar. Em 2025, a taxa de escolarização dos adolescentes de 15 a 17 anos no Brasil alcançou 93,2%, crescimento de 6,2 pontos percentuais em comparação com 2016, indicando que um número cada vez maior de jovens permanece matriculado na escola.

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