Home Fabrício Moreira da Costa Nem o comércio e nem o direito operam milagres

Nem o comércio e nem o direito operam milagres

Da mesma forma que um produto concebido por um dos mais respeitados grupos empresariais do Nordeste não alcançou o êxito esperado, uma tese jurídica também pode não prosperar, ainda que sustentada pelos maiores nomes da advocacia

Foto: Reprodução

Já escrevi algumas vezes neste canto de página que o Grupo Edson Queiroz é um verdadeiro patrimônio empresarial do Ceará. Ao longo de décadas, construiu uma trajetória admirável em diversos segmentos da economia, sempre associada à qualidade, inovação e credibilidade. Rádios, televisão, jornal, gás de cozinha, água mineral, fogões, agropecuária, educação superior através da Universidade de Fortaleza, empreendimentos imobiliários e tantas outras iniciativas que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento do nosso Estado.

Pois bem. Essa lembrança me veio à mente ao refletir sobre os caminhos do Direito. Certa vez, o Grupo Edson Queiroz, por intermédio da Minalba, decidiu inovar mais uma vez. Lançou uma linha de refrigerantes produzidos com a reconhecida qualidade de sua água mineral. A ideia era excelente. Havia tradição, credibilidade, investimento, experiência e uma marca consolidada por trás do projeto. Tudo indicava que seria mais um sucesso empresarial.

Mas o mercado decidiu de forma diferente. Os refrigerantes Minalba não alcançaram a dimensão comercial esperada e acabaram não se consolidando entre a preferência dos consumidores. Não faltavam competência, planejamento ou seriedade empresarial. Simplesmente o produto não encontrou a força necessária para permanecer competitivo.

No Direito, muitas vezes acontece algo semelhante. Há quem imagine que a contratação de um grande advogado seja garantia de vitória. Não é. A advocacia não opera milagres. O talento profissional, a técnica refinada e a experiência acumulada são ferramentas indispensáveis, mas encontram limites quando os fatos, as provas ou a própria legislação caminham em sentido contrário.

Que o diga Deolane Bezerra. Sua defesa conta com a atuação de Aury Lopes Jr., reconhecido nacionalmente como um dos maiores processualistas criminais do Brasil. Ainda assim, a realidade processual demonstra que nem sempre a qualidade do advogado é suficiente para produzir o resultado desejado.

Essa é uma das lições mais antigas dos tribunais. Um grande advogado pode potencializar um bom direito, identificar teses consistentes, apontar nulidades e construir caminhos jurídicos inteligentes. Porém, quando a causa é frágil, quando os fatos pesam em sentido contrário ou quando a prova não ajuda, até os profissionais mais brilhantes encontram barreiras difíceis de transpor.

Afinal, da mesma forma que um produto concebido por um dos mais respeitados grupos empresariais do Nordeste não alcançou o êxito esperado, uma tese jurídica também pode não prosperar, ainda que sustentada pelos maiores nomes da advocacia.

No fim das contas, a advocacia não substitui o direito. Ela o defende com técnica e dedicação. Mas é a força – ou a fragilidade – da própria causa que, quase sempre, acaba escrevendo a última linha da sentença.

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