O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, antecipou uma viagem para Dubai depois de perguntar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria estar fora do Brasil na segunda-feira, 17 de novembro. Documentos mostram que o planejamento inicial previa a saída do país apenas na noite do dia 18. A informação é da jornalista Natalia Portinari, do UOL.
Vorcaro acabou preso pela Polícia Federal na noite de 17 de novembro, quando tentava embarcar para Dubai. No dia seguinte, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, enquanto o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
A mudança no cronograma ocorreu após uma conversa entre Vorcaro e Moraes na noite de sábado, 15 de novembro. Às 18h22, segundo relatório da Polícia Federal produzido a partir dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro, Vorcaro escreveu ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
As mensagens reunidas pela PF também indicam que Vorcaro esteve em Brasília no domingo para conversar pessoalmente com Moraes.
Os documentos foram apresentados pela defesa do ex-banqueiro no processo relacionado ao BRB após sua prisão, em uma tentativa de afastar a suspeita de que ele pretendia fugir do país.
O plano original previa que Vorcaro deixaria o Aeroporto de Guarulhos às 23h10 do dia 18 de novembro. A programação incluía ainda uma escala em Milão, na Itália, antes da viagem para os Emirados Árabes Unidos.
No sábado, 15, às 21h31, uma empresa responsável pelo apoio a voos executivos contratada por Vorcaro solicitou autorização para o pouso em Dubai do jato Falcon 7X registrado em nome da Viking Participações, empresa ligada a ele.
Nesse planejamento, a aeronave partiria de Milão em 20 de novembro, chegaria a Dubai no mesmo dia e deixaria os Emirados Árabes Unidos no dia 25. O e-mail relacionado à solicitação tinha como assunto “OMDW – 20NOV25”.
“Me pediram pra antecipar”
Na manhã da segunda-feira em que acabou preso, Vorcaro informou a dois servidores do Banco Central que estava modificando a programação da viagem. A conversa ocorreu em um grupo de WhatsApp chamado “Master”, criado pelo então chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
“A turma de fora, como ficou muito em cima pra confirmar, não irão conseguir mais essa quarta, infelizmente. Me pediram pra antecipar ida pra lá pra tentarmos fazer as assinaturas”, escreveu às 6h48.
Na sequência, acrescentou: “Desta forma estou mudando a logística toda da transação, eu passo para vocês daqui a pouco”.
Na mensagem, Vorcaro atribuiu a antecipação aos investidores estrangeiros, que não foram identificados.
Ainda naquela segunda-feira, ele recebeu um documento referente à reserva no hotel Four Seasons, em Dubai. A previsão de chegada, que anteriormente era no dia 20, havia sido alterada para o dia 18.
Entre os documentos apresentados pela defesa, no entanto, não está o plano de voo referente ao dia 17 de novembro, data em que Vorcaro tentou deixar o país e foi preso.
A prisão foi antecipada diante do risco de fuga, após o ex-banqueiro informar as autoridades sobre a viagem.
Na época, a defesa afirmou que a reserva no hotel de Dubai havia sido solicitada no domingo, 16 de novembro, e que a viagem teria como finalidade a assinatura da venda do Banco Master para investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Outro documento apresentado por Vorcaro mostra que uma produtora contratada havia consultado hotéis em Dubai para a realização de uma conferência com 20 pessoas no dia 21 de novembro. Também estava prevista uma suíte entre os dias 20 e 22. O evento não chegou a acontecer.






