O Brasil apresentou pequena redução no desempenho dos estudantes em leitura e matemática no Pisa 2025, avaliação internacional que compara a aprendizagem de alunos em diferentes países. Em contrapartida, houve avanço na área de ciências.
Os resultados foram apresentados nesta terça-feira, 7, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pela coordenação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes.
Na comparação com a edição de 2022, a nota brasileira em leitura passou de 410 para 408 pontos. Em matemática, o resultado caiu de 379 para 377. Já em ciências, o país alcançou 409 pontos, seis a mais que os 403 registrados na avaliação anterior.
Apesar de continuar abaixo dos resultados observados entre países desenvolvidos, o Brasil reduziu, ao longo das últimas duas décadas, a distância em relação à média das nações da OCDE que participam regularmente do exame.
Em leitura, essa diferença diminuiu de 102 para 58 pontos. Na matemática, passou de 131 para 92 pontos, enquanto em ciências houve redução de 113 para 77 pontos.
O movimento ocorre também porque os países da OCDE registraram perdas recentes. Entre 2022 e 2025, a média em leitura caiu de 482 para 466 pontos. Em matemática, passou de 480 para 469, enquanto em ciências recuou de 491 para 486.
Considerando a evolução das últimas duas décadas, o Brasil aparece entre os países com maior crescimento no período. O desempenho brasileiro teve o sétimo maior avanço em leitura e matemática e o oitavo em ciências.
Resolução de problemas
A edição de 2025 também avaliou a capacidade dos estudantes de solucionar problemas utilizando ferramentas computacionais. Nesse quesito, a média da OCDE chegou a 500 pontos, enquanto o Brasil alcançou 406.
Mesmo distante do patamar médio da organização, o resultado brasileiro ficou acima dos obtidos por Argentina, El Salvador, República Dominicana, Guatemala e Paraguai.
No país, a aplicação do Pisa é responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
Esta foi a primeira divulgação depois do Pisa 2022, edição marcada pelos impactos da pandemia de Covid-19 sobre os sistemas educacionais. Naquele levantamento, o Brasil esteve entre os poucos participantes que não apresentaram redução de desempenho, apesar do período de fechamento das escolas.
MEC destaca restrição ao celular nas escolas
Ao analisar os resultados de 2025, o Ministério da Educação relacionou a estabilidade observada no desempenho brasileiro, entre outros fatores, à ampliação das regras para limitar distrações provocadas por dispositivos eletrônicos dentro das escolas.
Segundo os dados apresentados pelo MEC, 81% dos estudantes brasileiros estavam matriculados, em 2025, em instituições que adotavam alguma restrição ao uso de celulares. Em 2022, esse percentual era de 37%.
A proporção brasileira também ficou acima da média da OCDE, onde 49% dos estudantes frequentavam escolas com normas relacionadas ao uso desses aparelhos.
Para o ministério, as informações estão de acordo com estudos que apontam menor ocorrência de distrações digitais entre alunos submetidos a esse tipo de regra.
Outro aspecto destacado foi a relação dos jovens com o ambiente escolar. No Brasil, 16% dos estudantes disseram considerar a escola uma perda de tempo, abaixo dos 24% registrados na média da OCDE.
Além disso, 72% afirmaram demonstrar interesse por diferentes assuntos, enquanto 59% disseram aumentar o esforço quando enfrentam situações desafiadoras.
O relatório aponta ainda que estudantes brasileiros que atribuem maior importância à educação alcançam, em média, 35 pontos a mais em ciências em comparação com aqueles que enxergam menor valor na escola. Entre os países da OCDE, essa diferença é de 27 pontos.
Meio ambiente
O levantamento também analisou a percepção dos estudantes sobre questões ambientais. Nesse segmento, os percentuais brasileiros ficaram acima da média internacional em diferentes indicadores.
Entre os alunos do país, 84% disseram acreditar que podem contribuir positivamente para o meio ambiente. Outros 87% afirmaram confiar na capacidade de ações coletivas para enfrentar problemas ambientais, e 77% declararam saber atuar em grupo para promover mudanças.






