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Erika Hilton critica estratégia do PSOL e admite possibilidade de migrar para o PT em 2027

Na avaliação de Erika, as escolhas da legenda prejudicaram seu desempenho eleitoral e contribuíram para que o partido não alcançasse a cláusula de barreira

Foto: Antonio Araújo/Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que recebeu cerca de 1,5 milhão de votos nas eleições de 2026 e ficou em terceiro lugar na votação geral para a Câmara dos Deputados, fez críticas à condução política de seu partido após o primeiro turno. Em entrevista à Folha de S.Paulo, a parlamentar apontou falhas na distribuição de recursos eleitorais, na escolha das candidaturas financiadas e na decisão de não formar uma federação com o PT.

Na avaliação de Erika, as escolhas da legenda prejudicaram seu desempenho eleitoral e contribuíram para que o partido não alcançasse a cláusula de barreira. Ela defende uma reavaliação interna para corrigir os problemas e fortalecer a sigla. Caso não consiga chegar a um entendimento com o PSOL sobre os próximos passos, a deputada considera a possibilidade de mudar de partido em 2027.

A parlamentar confirmou que já conversou com representantes de outras legendas, incluindo o PT, mas ressaltou que ainda não tomou uma decisão. Segundo ela, o assunto dependerá do avanço das conversas com as duas siglas.

Redes sociais e campanha presidencial

Erika também avaliou a comunicação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ela, a estratégia adotada até o primeiro turno poderia ter dado mais espaço à divulgação das ações do governo e à presença do presidente nas redes sociais.

A deputada considera positiva a iniciativa de Lula de publicar vídeos gravados diretamente com o celular, formato que, segundo ela, aproxima o candidato do eleitorado. No entanto, defende que a comunicação também destaque os riscos que atribui a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

Sobre o resultado expressivo nas urnas, Erika atribuiu a votação ao conjunto de temas que defendeu durante o mandato, como o fim da escala de trabalho 6×1, o combate à violência contra a mulher, a proteção dos direitos de crianças e adolescentes e questões ambientais. Ela também destacou o alcance de sua atuação nas plataformas digitais.

A parlamentar comentou ainda o desempenho de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que estiveram entre os candidatos mais votados para a Câmara. Na avaliação dela, o discurso de ódio contra minorias e a ausência de debates centrados em propostas contribuíram para o resultado dos dois políticos. Erika reconheceu que o domínio das redes sociais é um ponto em comum entre os parlamentares, embora considere que o recurso seja utilizado com objetivos diferentes.

Cenário no Congresso e fim da escala 6×1

Ao analisar a composição do Legislativo eleito em 2026, Erika projetou dificuldades para a atuação da esquerda e avaliou que o próximo Congresso poderá ser ainda mais desafiador do que o atual. Para ela, o resultado da disputa presidencial também terá influência sobre o comportamento de parlamentares do centro político.

Apesar desse cenário, a deputada demonstrou expectativa de avanço na proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Ela considera que a medida tem chances de avançar caso a tramitação siga o ritmo atual e a discussão chegue ao plenário do Senado ainda durante o segundo turno. Se a votação ficar para um momento posterior, porém, a parlamentar avalia que a aprovação poderá enfrentar mais obstáculos.

Ameaças de morte e segurança

A entrevista também abordou as ameaças de morte recebidas por Erika, inclusive uma registrada no dia da votação do primeiro turno. A deputada afirmou que não consegue contabilizar quantas intimidações já sofreu ao longo da trajetória política e relatou que elas ocorrem de forma recorrente.

Segundo a parlamentar, sua rotina exige medidas rigorosas de proteção, incluindo escolta permanente e uso de carro blindado. Ela também disse que já precisou mudar de endereço em razão das ameaças.

Erika Hilton foi eleita deputada federal pela primeira vez em 2022. Dois anos antes, havia conquistado a maior votação para vereadora de São Paulo. Aos 33 anos, a parlamentar tem entre suas principais pautas a discussão sobre o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional.

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