O engenheiro e empresário João Amoêdo, reeleito para mais quatro anos à frente do Partido NOVO, fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e declarou que o bolsonarismo não possui a mesma força de 2018. As declarações foram feitas durante entrevista ao Estadão.
“O bolsonarismo foi muito forte na polarização, mas está decrescente. Bolsonaro se isola ao atacar as instituições. Se isola do Congresso, do partido e acaba se restringindo a um núcleo familiar. Esse processo vai continuar e vai desgastar o bolsonarismo.”
Segundo Amoêdo, as eleições municipais de 2020 não terão a presença do antipetismo tão forte: “As pessoas estão virando a página do antipetismo. O cidadão está preocupado com coerência. O viés ideológico será menor”.
Em sua avaliação acerca dos primeiros nove meses do governo Bolsonaro, Amoêdo declarou: “Tem aspectos positivos, notadamente a equipe econômica. Alguns ministros têm feito um bom trabalho: Infraestrutura, Agricultura, Justiça. Na pauta econômica há um alinhamento muito grande com o que Novo defendia, que é a responsabilidade fiscal, reforma da Previdência, liberdade econômica. O lado negativo tem alguns pontos. O primeiro: não existem prioridades. O presidente atua em várias frentes e dá muita ênfase a assuntos que não são prioritários para um país com quase 13 milhões de desempregados. Outra coisa que me incomoda é a questão das instituições. Muitas vezes há ataques às instituições. A gente viu isso em relação à Polícia Federal, imprensa, Supremo, partidos, Congresso.”
Nas eleições de 2018, durante o segundo turno, o NOVO apoiou Bolsonaro para a Presidência da República. Na entrevista, o empresário rejeita o título de “direita” ao falar sobre a posição política da legenda.
Para as eleições de 2020, a previsão é do partido lance apenas 70 candidatos a prefeito em todo o Brasil.
Repórter Ceará (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Br.)



