A edição da revista Veja desta semana traz matéria com a ex-mulher do candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira. Ela acusa o presidenciável de furtar um cofre de banco, ocultar patrimônio, receber pagamentos não declarados e agir com “desmedida agressividade”.
Após mais de dez anos juntos e um filho, Ana Cristina resolveu se separar, mas o caso foi parar na Justiça, pois, ambos disputavam a guarda do filho, que hoje tem 20 anos, além de alegações dela de que ele resista a fazer uma partilha justa dos bens. Diante disso, em abril de 2008, a ex-mulher deu entrada com uma ação na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
A VEJA teve acesso ao processo, que possui mais de 500 páginas e possui uma série de incriminações contra o universo privado do ex-casal. Há, no entanto, acusações de Ana Cristina ao ex-marido que entram na esfera do interesse público porque contradizem a imagem que Bolsonaro construiu sobre si mesmo na campanha presidencial.
Ana Cristina diz, agora, que as acusações que fez contra o ex-marido são fruto de excessos retóricos. Não é incomum que, em separações litigiosas, marido e mulher troquem acusações infundadas, destinadas a magoar ou tentar extrair alguma vantagem. Mas uma consulta ao processo e suas adjacências mostra que Ana Cristina não estava mentindo. O furto do cofre, por exemplo, realmente ocorreu. Em 26 de outubro de 2007, ela esteve na agência do Banco do Brasil e, misteriosamente, sua chave não abriu o cofre. Chamado ao local, um chaveiro destravou o equipamento, e Ana Cristina constatou que estava vazio. “Isso só pode ter sido coisa do meu ex-marido”, disse ela aos funcionários do banco. Um deles tentou acalmá-la, sem sucesso. “Ele pode tudo, e vocês têm medo dele”, respondeu ela. No mesmo dia, Ana Cristina registrou um boletim de ocorrência sobre o furto na 5ª Delegacia da Polícia Civil.
Jair Bolsonaro não quis se manifestar sobre as acusações da ex-mulher.
Repórter Ceará
