Zelo, carinho e dedicação costumam estar associados à imagem materna. Elas criam, educam e estão ao lado dos filhos quando eles adoecem. Chega um momento, entretanto, que os papéis se invertem. As mães envelhecem e passam a precisar cada vez mais do cuidado dos rebentos.
Neste Dia das Mães, a Agência Brasil ouviu histórias de filhos que “assumiram o lugar das mães” e que, atualmente, vivem esse momento de atenção. É o caso do produtor musical Rodrigo de Freitas que há cinco anos mudou de cidade e deixou a atividade profissional para se dedicar exclusivamente a cuidar da mãe, Anunciata de Freitas, de 83 anos.
O avanço da idade trouxe o Alzheimer e, quando ela ficou viúva, Rodrigo sentiu que era o momento de retribuir o carinho que recebeu ao longo de toda a vida.
Ele conta que sempre teve uma relação muito próxima com a mãe e, quando ela precisou, não hesitou em começar a viver uma nova realidade. Ele fez dois cursos de cuidador de idosos e estuda para entender melhor a doença da mãe.
Mesmo com a ajuda de cuidadoras, é Rodrigo quem assume as preocupações típicas de uma mãe com os filhos como alimentação, cuidados de higiene e horários de medicação.
Rodrigo diz que o respeito pela mãe continua o mesmo, apesar da “troca de papéis”.
Ele afirma que ainda a trata por “senhora”, mas conta bem-humorado que às vezes precisa dar umas “broncas”. “Ela não queria comer. Aí eu falei: se não comer, não vai ter sobremesa”, relembra o produtor musical.
Um quadro de demência também mudou a rotina de mãe e filha da professora universitária e escritora Cinthya Amaral, de 45 anos. A mãe, Miriam Amaral, de 69 anos, começou ter falhas de memória, sair de casa e não saber voltar, além de deixar de lado os cuidados pessoais. Aos poucos, as necessidades foram aumentando até que Miriam ficasse totalmente dependente de ajuda.
Cinthya já não morava com a mãe e conheceu um novo tipo de inquietação. “Aquela preocupação que mãe tem com filho de sair de casa, de perigo, tudo isso começou a inverter. Eu passei a ter esse medo, essa angústia”, conta.
“Também passei por aquela situação de quando filho está doente e a mãe larga serviço correndo para cuidar. Tive que fazer isso um dia quando estava dando aula num sábado à tarde e ninguém sabia onde ela estava. Dispensei os alunos todos para acudir.”
Com a rotina de trabalho apertada, a alternativa de Cinthya foi colocar a mãe em uma clínica onde Miriam tem atenção de profissionais em tempo integral. A preocupação com a mãe, no entanto, continua constante, afirma.
Repórter Ceará – Agência Brasil
