O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou fortemente a decisão do governo de rever a forma como divulga os números de infectados e mortos por Covid-19. Segundo Mandetta, que deu a afirmação em uma live organizada pelo Instituto de Direito Público (IDP), o governo não informar os dados pode ser até mais perigoso do que o vírus e enxerga com estranheza a decisão.
De acordo com o ex-ministro, o governo não quer “maquiar” os números, mas “fazer uma plástica transformadora da face” do problema, assim como “grandes fugitivos que mudam o seu rosto para fugir da política”.
“Querem fazer uma cirurgia nos protocolos públicos e isso vai causar problemas de desabastecimento, de notificação compulsória e de planejamento de ações”, disse Mandetta, após pergunta realizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Para Mandetta, a decisão não faz nenhum sentido do ponto de vista da saúde, mas é compreensível quando se analisa a questão política. Ele comparou o caso com um surto de meningite ocorrido em 1975, durante o período militar, e que, segundo ele, foi escondido pelo governo – e que logo depois precisou fazer uma campanha grande de vacinação para evitar mais problemas.
“Do ponto de vista político se explica esconder números, manipular números, e não deixar a imprensa saber”, disse ele.
A polêmica teve início com declarações do conselheiro do Ministério da Saúde, Carlos Wizard Martins, sobre uma eventual recontagem do número de mortos pela Covid-19.
“Alguns gestores públicos estão se valendo dessa pandemia para trazer um maior volume de recursos para seus estados e municípios, de forma tal que estão inflacionando o número de óbitos [por Covid-19]. (…) Defendemos um critério mais apurado para, de fato, identificar quem são as vítimas da Covid e quem teve outra causa mortis”, disse Wizard à CNN.
Ele ainda defende o uso da hidroxicloroquina como medicamento de prevenção à doença e que as críticas ao remédio vêm de ideais políticos. “A partir do momento em que o governo federal preconiza certa indicação técnica, infelizmente aqueles que são inimigos políticos vão exatamente contrário à orientação.”
Repórter Ceará com informações da CNN Brasil (Foto: Isac Nobrega/PR)






