Uma das principais crises da última gestão de Cirilo Pimenta (PDT) foi a alta taxa de reclamação a alguns integrantes de sua equipe. A principal queixa da população era de que esta pequena equipe destratava, não atendia bem até mesmo pequenas demandas, dava pouca atenção às causas populares, e um verdadeiro ‘ranço’ ao staff se instalou, e este foi avaliado como fator preponderante para a derrota do grupo em 2016.
O sentimento de que Cirilo fosse invencível, do ponto de visto eleitoral, tornou muitos apoiadores ‘donos’ de cargos públicos e ladeados de desdém pela população, sobretudo, mais humilde. A disputa pelo posto de bajulador, por uma minoria, tornou a situação ainda mais insustentável. Apesar de uma equipe técnica muito boa e capacitada, apesar das obras e do sentimento desenvolvimentista encarnado por Pimenta – afinal, é inegável sua busca por investimentos que alavancam as ações na cidade -, a recente revelação de descontentamento no tratamento com quem procura o prefeito no Paço Municipal, revelada em redes sociais por seus próprios eleitores e apoiadores, nada mais aponta como a mesma falha que o puniu nas urnas.
Com praticamente os mesmos integrantes e grupos nos bastidores, Pimenta se vê novamente cercado de quem só o distanciou da população. Gostaria o prefeito disso para repetir o erro? As pouquíssimas mudanças notadas na linha de frente da gestão são cobertas por quem ocupa cargos atrás destas figuras. É perceptível a atuação de tradicionais apoiadores, tornando a gestão de Cirilo, mais uma vez, mais do mesmo. Ressalte-se que na campanha o próprio gestor fez questão de tentar fugir dessa pecha e até mesmo tentou esconder, em alguns momentos, determinados apoios.
Pimenta se comprometeu em colocar jovens em suas secretarias, mas voltou a repetir nomes que antes já participaram de suas administrações, inclusive, substituindo caras novas por medalhões, com pouca renovação. A frase de campanha de que o seu secretariado tinha que dar expediente pela manhã na porta da secretaria, o que não acontece, é a prova de que o mesmo do mesmo está sendo o suficiente.
Com plataformas repetidas ou pouco renovadas a cada campanha, Cirilo segue com a missão de agora ser mais proativo do que nunca, pois há de ponderar que a população também tem seu grau de paciência para determinados problemas que deveriam ter sido resolvidos há décadas. Décadas estas que ele fez parte direta e indiretamente.
Recai sobre ele, Cirilo, a responsabilidade de agora ter que fazer muito e até mais do que prometeu, diante da nova oportunidade, porque o povo sempre exige mais. Com currículo extenso, político conhecido e experiente, certas medidas só se repetem se realmente houver intenção que ocorram.
2022 está vindo aí e para seu grupo é mais uma chance de mostrar quem dá as cartas no jogo político em Quixeramobim e nos votos dos quixeramobinenses, afinal, caminha para quase 3 (três) décadas sua permanência no poder. Talvez um dos mais extensos domínios eleitorais do Estado do Ceará. Mesmo assim, nenhum outro nome da terra é criado por este grupo para renovar. Tudo se concentra apenas em um ou dois nomes.
Para mostrar força e até mesmo sendo esta uma arma para conter a situação, no mínimo deselegante, de sua equipe de não conseguir atender a contento quem procura o prefeito, o gestor tenta conquistar mais aliados. Até dança das cadeiras já se cogita na administração, que nem completou um ano inteiro do novo mandato.
Doce como mel, a Prefeitura segue sendo o refúgio eleitoral de muita gente e quem está mais uma vez no poder usa desse artifício para se manter. Mas quem paga por tudo é o mais simples, mau atendido, que a este sobra apenas o ‘fel’, pois o doce do mel já beberam faz tempo.
Repórter Ceará (Foto: Divulgação/Ascom)





Gostei deste artigo que me parece transmitir a sua realidade.