Home Política Transição indica que Lula poderá ter 8 ministérios a mais que Bolsonaro

Transição indica que Lula poderá ter 8 ministérios a mais que Bolsonaro

O vice-presidente da República eleito, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou, na terça-feira, 8, que o Gabinete de Transição terá 31 grupos técnicos. Esses grupos ficarão divididos em áreas como educação, saúde, cultura, segurança pública, assistência social e meio ambiente.

O número de eixos temáticos pode ser um indicativo do número de pastas do novo governo. Lula pretende expandir o primeiro escalão do governo federal e chegou a defender a volta de todas as pastas extintas após a saída do PT do governo.

O analista e advogado Thiago Queiroz, diretor da Consillium Soluções Institucionais e Governamentais, avalia que existe, sim, uma relação entre os eixos ou núcleos temáticos criados na equipe de transição e a equipe ministerial que depois é formalizada, dado que as diretrizes já estão dadas neste momento.

“Nós vislumbramos que o próximo governo deverá ter, pelo menos, cerca de 32 ministérios. Isso porque, além dos 31 eixos temáticos da equipe de transição, tem outros órgãos de assessoramento da Presidência da República que não têm necessariamente um assento nessa equipe de transição, mas que certamente terá status de ministro na nova composição”, afirma Queiroz.

Entre esses órgãos, estão, por exemplo, a Secretaria-Geral, a Secretaria de Governo e a Advocacia-Geral da União (AGU), que não possuem um eixo temático.

“Lula deve fazer aquilo que foi prática nos próprios governos dele, quando foi presidente, e na gestão da Dilma”, ressalta o especialista. Na última gestão petista, de Dilma Rousseff, eram 32 pastas. O PT sempre teve um grande número de ministérios para abarcar aliados de diferentes partidos políticos, no que é chamado pela ciência política de “presidencialismo de coalizão”.

“Além disso, Lula foi eleito dentro de uma plataforma que foi chamada mais recentemente como frente ampla. Naturalmente, ele deve abrir espaço para vários segmentos da sociedade e para vários partidos que fizeram essa composição”, prossegue.

Lula já fez acenos a partidos do centro e centro direita, alguns dos quais estiveram com Bolsonaro nos últimos quatro anos. “Ele certamente vai ter que abrir espaço nesse sentido e fará isso. A própria sinalização em ter chamado o PSD e o MDB para a equipe de transição demonstra isso”, explica Queiroz.

A mestre em ciência política Elaine Gontijo frisa que Lula, diferentemente de Jair Bolsonaro (PL), desde o princípio assumiu a intenção em ter um ministério alargado.

“Ao contrário de Bolsonaro, Lula não prometeu um ministério enxuto. O sentimento expresso é de necessidade de ‘reconstrução’. Obviamente, uma possibilidade de mais pastas deve ser parte do esforço de governabilidade a ser enfrentado por Lula, especialmente em tempos de orçamento secreto. Mas há também a expectativa de recriação de pastas que se mostraram necessárias, como é o caso do desmembramento do ‘superministério’ da Economia, além de pastas que se constituíram como proposta de campanha, como o provável Ministério dos Povos Originários”, diz a especialista.

Repórter Ceará – Metrópoles

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