Comemorado em 15 de julho, o Dia do Homem surgiu em 1992 com o intuito de chamar atenção para os cuidados com a saúde masculina. Ao longo dos anos, no entanto, a data vem ganhando novos sentidos e provocando reflexões importantes sobre o papel dos homens na sociedade, especialmente no que diz respeito à saúde emocional e à desconstrução de estereótipos.
Para a psicóloga e escritora Luana Menezes, o machismo estrutural não adoece apenas mulheres, mas também homens, que desde pequenos são ensinados a reprimir seus sentimentos.
“Crescem ouvindo que não podem chorar, que precisam ser fortes, durões e provedores. Isso sufoca a sensibilidade e gera adultos emocionalmente desconectados, o que afeta suas relações e saúde mental”, explica.
Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) mostram que a taxa de suicídio entre homens é três vezes maior do que entre mulheres — e uma das razões é a dificuldade que muitos enfrentam para expressar suas emoções e pedir ajuda.
Nos últimos anos, grupos e rodas de conversa têm surgido como caminhos eficazes para ampliar esse debate. Um exemplo recente foi um encontro promovido no Rio de Janeiro, que reuniu homens e mulheres dispostos a refletir sobre padrões emocionais, saúde mental e masculinidade. A proposta foi facilitar espaços seguros para o diálogo, algo que fez muita diferença para Fabrício Nunes Brito, um dos participantes.
“O mais potente foi perceber que não estou sozinho. Pude falar das minhas dores, rever minha história e enxergar com mais clareza o tipo de pai e marido que desejo ser”, contou ele, que tem 42 anos e é pai de dois filhos.
Fabrício conta ainda que durante a vivência pôde resgatar memórias da infância e ressignificar padrões herdados de uma criação rígida. “Esse tipo de experiência nos mostra que é possível ser um homem sensível, presente e emocionalmente disponível sem que isso seja sinal de fraqueza. Pelo contrário, isso é força”, acrescentou ele.
Para Luana Menezes, que facilitou o encontro, o caminho para uma sociedade mais empática começa cedo. “Precisamos romper com os padrões que dizem que emoção é coisa de mulher. Meninos também têm direito de sentir e devem ser incentivados a cuidar de si, dos outros e das relações. Esse é o verdadeiro autocuidado, e ele é transformador”, diz a psicóloga.
Além do trabalho clínico, Luana tem se dedicado à produção de conteúdo voltado à educação emocional. É autora do livro infantil “Eu Só Quero Brincar”, que trata de equidade de gênero e liberdade para que crianças sejam acolhidas em sua essência, sem limitações baseadas em gênero.
“Neste mês de julho, mais do que presentear os homens, a data é uma oportunidade de propor escuta, acolhimento e conversas significativas. Afinal, cuidar da saúde emocional masculina é um passo importante na construção de relações mais justas, sensíveis e saudáveis para todos”, conclui a especialista.