O Sertão Central cearense, com sua resiliência característica, sua cultura vibrante e seu povo trabalhador, é um celeiro de potencial ainda não plenamente realizado. No coração deste desenvolvimento, além das políticas públicas e da iniciativa privada, está um ator fundamental: a imprensa local. No entanto, para cumprir verdadeiramente seu papel social, a mídia regional precisa passar por uma profunda reflexão sobre sua forma de se comunicar e seu conteúdo.
Historicamente, a cobertura midiática, muitas vezes, privilegia o negativo. A violência, os escândalos e as crises, embora fatos que devem ser noticiados, dominam os espaços com uma frequência que pode gerar um sentimento de desesperança e estagnação. É urgente um reequilíbrio. Isso não significa ignorar os problemas, mas sim contextualizá-los e, principalmente, dar igual ou maior destaque às soluções, às iniciativas que dão certo e às pessoas que estão, no anonimato, construindo um futuro melhor. A sociedade anseia por esse contraponto; ela precisa se ver refletida não apenas nos seus desafios, mas também na sua capacidade de superá-los.
Neste contexto, surge a pergunta central: o que a imprensa (falada, escrita e digital) pode fazer para o Sertão Central encontrar o seu caminho de desenvolvimento?
A resposta está em uma atuação que vá além de informar, assumindo um papel proativo, educativo e fiscalizador. Eis como os diferentes veículos podem se posicionar como motores dessa transformação:
1. Fomentando a Economia Local e a Geração de Emprego:
Rádios Comunitárias e Web: Criar programas especializados que liguem micro e pequenos empresários a potenciais clientes e fornecedores. Entrevistas com empreendedores de sucesso da região, divulgação de feiras e editais de fomento podem inspirar e movimentar a economia.
TVs Web e Podcasts: Produzir reportagens aprofundadas sobre cadeias produtivas promissoras (como a caprinovinocultura, a apicultura, o artesanato, o turismo de experiência). Mostrar cases de sucesso atrai investimentos e gera conhecimento.
2. Elevando e Valorizando a Cultura Sertaneja:
Todos os Veículos: A cultura é alma do sertão. Dar espaço para os cantadores, cordelistas, grupos de reisado, artesãos e mestres da cultura popular. Transmitir festas tradicionais ao vivo, criar séries sobre a história de cada município e promover concursos culturais fortalecem a identidade e ainda movimentam o turismo cultural.
3. Apoiando Incondicionalmente o Esporte:
Rádios AM/FM e Web: A cobertura esportiva não deve se restringir aos grandes eventos. Transmitir os jogos dos campeonatos municipais e interestaduais, entrevistar atletas locais que se destacam e promover campanhas para revitalizar praças esportivas são formas concretas de apoiar a juventude, afastando-a dos perigos da ociosidade.
4. No Combate Incansável à Corrupção:
Jornais Locais e Portais de Notícia: Este é um papel clássico, mas vital. Investigar e denunciar desvios de verba pública com rigor e isenção, baseando-se sempre em dados e documentos. A imprensa é o cão de guarda da democracia e seu faro deve estar sempre apurado para proteger os recursos que são de todos.
5. Cobrando Eficiência do Poder Público:
Podcasts e Programas de Debate: Aqui reside uma das maiores forças da mídia moderna. Programas como o “Foco no Assunto” são essenciais para criar um fórum democrático. Convocar vereadores, prefeitos e secretários para prestar contas à população de forma transparente e direta. Debater a aplicação do orçamento municipal, a qualidade da saúde e da educação, e as obras prometidas pressiona por resultados e empodera o cidadão comum.
Conclusão:
O desenvolvimento do Sertão Central não será fruto do acaso. Será construído por mãos calosas, mentes criativas e uma vontade coletiva férrea. A imprensa regional tem o poder e o dever de ser a grande articuladora desse processo. Ao mudar o foco, saindo do que apenas destrói para destacar o que constrói, ao fiscalizar com rigor e ao promover com entusiasmo o que é seu, a mídia deixará de ser apenas um espelho da realidade para se tornar um farol, iluminando o caminho para um sertão mais justo, próspero e cheio de orgulho de sua própria história.
Que o debate da próxima quinta-feira às 19h seja o ponto de partida para essa nova e necessária era do jornalismo sertanejo.