Home Política PL articula votação da anistia na Câmara mesmo sem aval de Motta

PL articula votação da anistia na Câmara mesmo sem aval de Motta

Fontes afirmam que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, procurou o vice da Câmara durante a viagem de Hugo Motta à COP30, em Belém, para cobrar a votação da proposta

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O Partido Liberal (PL) está tentando aprovar um projeto de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 na Câmara dos Deputados, mesmo sem o aval do presidente da Casa, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba. A estratégia discutida pelos dirigentes do partido prevê que o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes, do PL do Rio de Janeiro, assuma a presidência interina e aproveite uma eventual ausência de Motta para pautar a matéria. Segundo apuração do Metrópoles, esse movimento já vinha sendo articulado internamente.

Fontes afirmam que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, procurou o vice da Câmara durante a viagem de Hugo Motta à COP30, em Belém, para cobrar a votação da proposta. Mesmo pressionado, Altineu Côrtes teria recusado naquele momento, argumentando que a pauta já estava definida antes da viagem e que não poderia alterá-la de forma repentina.

Enquanto isso, a cúpula do PL intensifica a pressão para que a anistia seja votada. O líder da bancada, Sóstenes Cavalcante, tem insistido publicamente para que o tema avance e chegou a sinalizar que o partido pode recorrer à obstrução caso a proposta continue parada. Apesar disso, Hugo Motta mantém postura de cautela e tem reiterado que qualquer decisão sobre a pauta deve ocorrer no Colégio de Líderes. Para ele, o momento exige responsabilidade e equilíbrio, evitando iniciativas que reforcem a polarização.

A proposta de anistia defendida pelo PL prevê perdão amplo para manifestantes, organizadores, financiadores e apoiadores envolvidos nos protestos desde o segundo turno das eleições de 2022. Se aprovada, a medida beneficiaria investigados, denunciados e condenados. Diante das críticas de setores que enxergam a iniciativa como um gesto de impunidade, líderes da Câmara discutem alternativas mais brandas, como ajustes nas penas ou revisões nos critérios de dosimetria.

Com a prisão definitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, as articulações do PL ganharam ainda mais intensidade. Aliados acreditam que a aprovação da anistia pode aliviar impactos jurídicos e políticos relacionados ao ex-mandatário e a seus apoiadores. No entanto, parlamentares governistas e parte do centrão avaliam que não há consenso suficiente no Congresso e que o tema precisa ser conduzido com prudência.

Até o momento, não há previsão para a votação. Qualquer avanço dependerá de acordo entre os líderes partidários. A insistência do PL e a resistência de outras bancadas indicam que o tema deve continuar no centro das tensões políticas nas próximas semanas, podendo interferir no ritmo das votações e no ambiente institucional do país.

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