O rompimento de Ivo Gomes com o governador Elmano de Freitas adiciona mais um capítulo às disputas políticas no Ceará, mas precisa ser lido com muita cautela.
Trata-se menos de uma ruptura ideológica e mais de um choque entre projetos e territórios políticos.
Sobral é o epicentro desse movimento.
A aliança de Elmano com Oscar e Moses Rodrigues, adversários históricos dos Ferreira Gomes em Sobral, mexe direto com o coração da disputa local.
Ivo relembrou a crise familiar vivida quando apoiou o petista e apontou que considera incoerência ser contra o bolsonarismo no discurso e, na prática, se aproximar de aliados desse campo.
Esse movimento acaba acelerando alguns cenários já ventilados.
Com Ciro praticamente decidido a disputar o governo, a tendência é Cid Gomes ser empurrado para a reeleição ao Senado. A fala de Ivo deixa claro o receio de o Ceará acabar elegendo “dois nomes do Centrão”, o que, para ele, enfraqueceria a representação do Estado.
Nesse desenho, Júnior Mano passa a ser visto como opção de reserva, perdendo tração diante do peso político de Cid e da necessidade de uma candidatura mais competitiva.
Além disso, se tudo caminhar como o previsto nas pesquisas, Camilo Santana muito provavelmente entra na disputa contra Ciro para o governo do Ceará para engrossar ainda mais o caldo.
E aí, até onde vai a conveniência nos acordos políticos entre ex-aliados?
Governar exige alianças, mas toda escolha cobra um preço e, no fim, alguém vai pagar o pato. As eleições de 2026 tendem a ser menos sobre soma de apoios e mais sobre quem consegue sustentar discurso, base e confiança sem esticar demais a corda.
