A chamada emenda família virou um dos temas mais delicados do momento em Brasília. Isso porque, em 2025, os repasses de emendas parlamentares para ONGs bateram o recorde de R$ 1,7 bilhão.
No discurso oficial, Câmara e Senado dizem que as regras foram aprimoradas, com mais transparência, rastreabilidade e controle, mas, na prática, o que vem aparecendo é preocupante.
Parte desse dinheiro foi parar em estruturas ligadas a familiares, ex-assessores e aliados políticos de quem destina os recursos.
É importante separar as coisas.
ONG não é sinônimo de problema, e muitas prestam serviços relevantes há décadas. O ponto de atenção surge quando emendas passam a irrigar entidades com vínculos políticos pouco transparentes.
Nesse debate, chamou atenção a citação da Associação Pestalozzi, uma ONG conhecida no Nordeste pelo trabalho com pessoas com deficiência, que aparece em levantamentos e reportagens sobre o fluxo de emendas.
No Ceará, o alerta também está aceso. O estado tem tradição de parcerias com organizações sociais, e isso é positivo quando há controle e entrega. Mas é fundamental saber se ONGs locais, inclusive as mais conhecidas, receberam recursos dentro das regras, com projetos executados, metas cumpridas e prestação de contas transparente.
Esse assunto pede apuração e responsabilização, sem generalizações e sem blindagens.
Emenda não pode virar herança de família nem atalho político, principalmente com as eleições se aproximando. Quando o desvio é silencioso, o prejuízo costuma ser grande. E quem paga a conta, como sempre, é o povo.




