Home 1 Minuto com Sérgio Machado Emenda família: dinheiro público, ONGs de parentes e um silêncio perigoso

Emenda família: dinheiro público, ONGs de parentes e um silêncio perigoso

Emenda não pode virar herança de família nem atalho político, principalmente com as eleições se aproximando. Quando o desvio é silencioso, o prejuízo costuma ser grande. E quem paga a conta, como sempre, é o povo

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A chamada emenda família virou um dos temas mais delicados do momento em Brasília. Isso porque, em 2025, os repasses de emendas parlamentares para ONGs bateram o recorde de R$ 1,7 bilhão.

No discurso oficial, Câmara e Senado dizem que as regras foram aprimoradas, com mais transparência, rastreabilidade e controle, mas, na prática, o que vem aparecendo é preocupante.

Parte desse dinheiro foi parar em estruturas ligadas a familiares, ex-assessores e aliados políticos de quem destina os recursos.

É importante separar as coisas.

ONG não é sinônimo de problema, e muitas prestam serviços relevantes há décadas. O ponto de atenção surge quando emendas passam a irrigar entidades com vínculos políticos pouco transparentes.

Nesse debate, chamou atenção a citação da Associação Pestalozzi, uma ONG conhecida no Nordeste pelo trabalho com pessoas com deficiência, que aparece em levantamentos e reportagens sobre o fluxo de emendas.

No Ceará, o alerta também está aceso. O estado tem tradição de parcerias com organizações sociais, e isso é positivo quando há controle e entrega. Mas é fundamental saber se ONGs locais, inclusive as mais conhecidas, receberam recursos dentro das regras, com projetos executados, metas cumpridas e prestação de contas transparente.

Esse assunto pede apuração e responsabilização, sem generalizações e sem blindagens.

Emenda não pode virar herança de família nem atalho político, principalmente com as eleições se aproximando. Quando o desvio é silencioso, o prejuízo costuma ser grande. E quem paga a conta, como sempre, é o povo.

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