Em um país onde a carga tributária pesa no bolso do cidadão, a estrutura dos Poderes e o número de representantes eleitos levantam um debate urgente: há excesso de políticos no Brasil? E qual é o preço final dessa máquina para o contribuinte?
A sensação de que se “paga exageradamente as contas dos Poderes” é comum entre brasileiros que enfrentam uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Paralelamente, o Brasil sustenta uma das maiores estruturas de representação política eletiva do planeta, um sistema complexo e “multilayered” que vai do nível federal ao municipal.
Os números, por si só, impressionam pela magnitude. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da legislação vigente, o país é gerido por:
- 01 Presidente e 01 Vice-Presidente da República.
- 81 Senadores (3 por estado e Distrito Federal).
- 513 Deputados Federais.
- 27 Governadores e 27 Vice-Governadores.
- 1.059 Deputados Estaduais (o número varia por estado).
- 5.569 Prefeitos e 5.569 Vice-Prefeitos.
- 58.502 Vereadores (o número exato pode variar conforme a população dos municípios).
Somados, são 71.349 mil cargos eletivos em exercício a cada mandato.
No entanto, a engrenagem não funciona apenas com os titulares. Para assessorá-los, uma legião de cargos comissionados e funções de confiança é autorizada por lei, formando o que se chama de “cota de assessores”. Estimativas baseadas nos regramentos atuais apontam para:
- Senadores: Cota de até 54 assessores cada, totalizando potencialmente 4.374 cargos.
- Deputados Federais: Cota de até 25 assessores cada, somando 12.825 cargos.
- Deputados Estaduais: As cotas variam por assembleia, mas estimativas
- consolidadas apontam para algo em torno de 20.000 assessores no país.
- Vereadores: A soma em todos os 5.569 municípios pode chegar a uma estimativa de mais de 600 mil cargos de assessoria, considerando as diferentes realidades locais.
O total estimado de assessores parlamentares (sem contar os assessores do Poder Executivo) supera a marca de 638 mil pessoas. Esses cargos são essenciais para o funcionamento técnico e político dos mandatos, mas seu custo integral — somando salários, benefícios e estrutura — é uma das fatias significativas do orçamento da União, estados e municípios.
A pergunta que não cala: exagero ou necessidade?
Diante desses números, especialistas em administração pública e ciência política divergem. Para alguns, um país continental e federativo como o Brasil, com grandes desigualdades regionais, necessita de uma ampla rede de representantes para garantir voz a todos os territórios. O sistema bicameral (Câmara e Senado) e a representação municipal são pilares da democracia.
Para outros, no entanto, há um claro déficit de eficiência. A pergunta do cidadão é direta: “Por que a máquina administrativa é muitas vezes lenta, burocrática e ineficiente se existe um exército tão vasto de políticos e assessores?”.
A crítica frequentemente aponta para:
- Sobrecusto: A manutenção dessa estrutura, com seus altos salários, auxílios (moradia, gabinete, saúde), verbas de gabinete e aposentadorias especiais, representa um ônus bilionário aos cofres públicos.
- Fragmentação e conflito: O grande número de atores com poder de proposição e emenda pode fragmentar a agenda nacional, priorizar interesses localizados em detrimento do interesse coletivo e tornar o processo legislativo moroso.
- Dificuldade de fiscalização: Para o eleitor, é praticamente impossível acompanhar e avaliar o trabalho de dezenas de milhares de representantes e seus assessores, enfraquecendo o controle social.
Em busca de soluções
O debate sobre a redução do número de parlamentares, a fusão ou extinção de cargos (como os de vice-prefeito em pequenos municípios) e a racionalização das cotas de assessoria é recorrente no Congresso, mas esbarra em interesses constituídos e na complexidade de uma reforma política ampla.
Enquanto isso, o contribuinte continua a financiar a máquina. A discussão que se impõe, portanto, vai além do “custo”. É sobre eficiência, representatividade e o retorno concreto que a sociedade recebe por esse investimento monumental na sua democracia. A pergunta final, deixada ao leitor, é: o modelo atual é o melhor que podemos ter?
RESUMO DO CUSTO DOS POLÍTICOS ELEITOS, EXCLUINDO REGALIAS:
O custo estimado para a manutenção de 71.582 políticos eleitos e seus assessores diretos é de aproximadamente:
- R$ 248.000,00 por minuto
- R$ 14,8 milhões por hora
- R$ 357 milhões por dia
- R$ 10,8 bilhões por mês
- R$ 130 bilhões por ano
Atenção: Este valor não inclui:
- Fundo Partidário (cerca de R$ 1 bilhão/ano)
- Fundo Eleitoral (cerca de R$ 5 bilhões/ano)
- Despesas operacionais essenciais para o funcionamento dos Poderes (Presidência,
- Congresso, Assembleias e Câmaras), não incluso na conta:
- Contratação de segurança, limpeza e outros servidores.
- Aquisição de material administrativo, mobília, equipamentos e tecnologia.
- Custos com veículos, planos de saúde, energia, água, telefonia, entre outros.
- Moradia dos parlamentares.
Observação: A inclusão dessas despesas operacionais e dos fundos pode, na prática, dobrar ou até ultrapassar o custo anual inicial de R$ 130 bilhões.
Até quando haveremos de tolerar essa estrutura tão excessiva?




