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Janeiro Verde: câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres brasileiras

Considerado raro em mulheres de até 30 anos, a mortalidade por câncer do colo do útero aumenta progressivamente a partir da quarta década de vida

Foto: Pexels

O câncer do colo do útero, também conhecido como câncer cervical, é uma das principais causas de morte entre mulheres no mundo e o mais letal para aquelas com menos de 36 anos no Brasil. Ao mesmo tempo, é um dos mais preveníveis. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima registrar mais de 17 mil casos por ano no Brasil, entre 2023 e 2025. A neoplasia é a terceira mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. As regiões Norte e Nordeste do país concentram as maiores taxas de prevalência e mortalidade pela doença. Só no Ceará, pelo menos 1.030 novos casos de câncer de colo de útero eram esperados para cada ano do triênio 2023 – 2025.

Os números preocupam, tendo em vista que esse tipo de câncer é altamente prevenível e os casos poderiam ser reduzidos com a adoção de mecanismos de controle, como vacinação e rastreio, mas que esbarram nas desigualdades sociais e regionais no país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que seria possível reduzir entre 60% e 90% das ocorrências aumentando o rastreamento da população feminina para, ao menos, 80% das mulheres.

É por isso que a campanha Janeiro Verde, criada pela Sociedade Brasileira de Cancerologia, visa conscientizar a população sobre a importância da prevenção e detecção precoce da doença. Especialistas da Rede ICC Saúde, referência nacional em cuidado oncológico, alertam para a necessidade da consulta regular com o ginecologista e a realização dos exames preventivos.

Considerado raro em mulheres de até 30 anos, a mortalidade por câncer do colo do útero aumenta progressivamente a partir da quarta década de vida. Historicamente, cerca de 70% da mortalidade por câncer do colo do útero se concentra na faixa etária de 25 a 64 anos, de acordo com o Inca.

Causas e sintomas

Silencioso, o câncer de colo do útero costuma apresentar sintomas quando se encontra em estágios mais avançados. É causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano – o HPV, um vírus bastante comum transmitido principalmente por contato sexual.

Cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas são contaminadas com esse vírus em algum momento da vida. Embora a maioria dos casos de HPV representem uma contaminação transitória, em que o próprio sistema imunológico consegue se defender, o risco aumenta quando a presença do patógeno prolonga-se e acaba por gerar lesões no colo do útero, que se tornam feridas e podem evoluir de forma maligna.

A fase inicial para a maioria das pacientes acaba sendo assintomática e os sintomas aparecem conforme a localização e a extensão da doença. Corrimento vaginal amarelado e odor desagradável, até mesmo com sangue, sensação de pressão no abdômen, sangramentos menstruais irregulares, dores na região baixo ventre e sangramento após relação sexual são alguns sintomas.

Anemia, dores pélvicas com intensidade forte, dores na região lombar, perda rápida de peso, alterações miccionais e no hábito intestinal são outros sintomas que aparecem em estágios mais avançados. Ao surgimento desses sintomas é recomendado buscar ajuda médica com urgência.

Prevenção

Por ser uma doença sexualmente transmissível, o uso da camisinha nas relações sexuais é um importante método de prevenção. Já a vacina ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal arma contra esse tipo de câncer, sendo esta uma das prioridades das diretrizes da OMS para combater a doença. O esquema contempla a aplicação de duas doses com intervalo de seis meses entre elas.

A recomendação do imunizante é para jovens entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual, além da população imunossuprimida (vivendo com HIV/aids, submetidos a transplantes de órgãos sólidos/medula óssea e pacientes oncológicos), de 15 a 45 anos. Desde 2020, a OMS trabalha com a meta de eliminar o câncer de colo de útero e o classifica como um problema de saúde pública mundial.

As consultas e exames de rotina, como o papanicolau, são essenciais e devem fazer parte do calendário anual do público feminino e ser realizados periodicamente após o início da vida sexual.

O Papanicolau, ou exame citopatológico, também é oferecido de forma gratuita pelo SUS. Segundo o ginecologista Ricardo Juaçaba, da Rede ICC Saúde, o exame permite a identificação de lesões precursoras que, se tratadas precocemente, possuem grandes chances de não evoluírem para o câncer.

“O exame é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram atividade sexual, devendo ser realizado uma vez por ano. A periodicidade e a necessidade do exame para mulheres com mais de 64 anos deve ser avaliada individualmente”, explica o especialista.

Além disso, desde o ano passado, o SUS tem realizado a implementação do teste de biologia molecular DNA-HPV, um método moderno e inovador que faz parte do novo rastreamento organizado do câncer de colo do útero na rede pública de saúde. Trata-se de uma tecnologia 100% nacional que detecta 14 genótipos do papilomavírus humano, identificando a presença do vírus no organismo antes da ocorrência de lesões ou câncer em estágios iniciais. Isso ocorre inclusive em mulheres assintomáticas e aumenta as chances de cura pelo tratamento precoce.

Tratamento

Segundo a ginecologista, mesmo sendo uma doença de alto teor de gravidade, pode ser curada se descoberta em estágio inicial. “O tratamento do câncer de colo de útero depende do estadiamento, que é o processo para determinar a localização e extensão do tumor no corpo. Quando tem estadiamento precoce, em estágio inicial, o tratamento é cirúrgico, podendo ser complementado com quimioterapia ou radioterapia. Em tumores mais avançados, inicialmente o tratamento são sessões de quimioterapia e radioterapia. A decisão por determinado tipo de tratamento também leva em conta a idade e o estado de saúde geral da paciente”, afirma Juaçaba.

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