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Congresso aumenta a própria verba enquanto o Brasil aperta o cinto e a população perde a esperança

Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, onde milhões de brasileiros ainda convivem com a fome, o desemprego, a precarização dos serviços públicos e o alto custo de vida, a ampliação de recursos para o próprio Congresso soa como um gesto de completo desalinhamento com a realidade da população

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

A Câmara dos Deputados caminha para aumentar a verba de gabinete em cerca de 23%, elevando o valor mensal de aproximadamente R$ 133 mil para algo em torno de R$ 1605 mil por deputado. A justificativa apresentada por integrantes da Mesa Diretora é que, após o reajuste salarial dos servidores do Legislativo, sem esse aumento os parlamentares seriam obrigados a demitir funcionários de seus gabinetes.

O anúncio, no entanto, provoca forte reação negativa na sociedade e amplia ainda mais o abismo entre representantes e representados. Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, onde milhões de brasileiros ainda convivem com a fome, o desemprego, a precarização dos serviços públicos e o alto custo de vida, a ampliação de recursos para o próprio Congresso soa como um gesto de completo desalinhamento com a realidade da população.

A pergunta que ecoa nas ruas e nas redes sociais é direta. Esse aumento é justo? O deputado que administra essa verba representa verdadeiramente quem o elegeu? Para grande parte da população, a resposta é negativa. O sentimento predominante é o de que o Parlamento se distancia cada vez mais das prioridades reais do país, priorizando seus próprios interesses em detrimento das urgências sociais.

O episódio também escancara um problema histórico da política brasileira, a percepção de privilégios. Verbas, salários e benefícios crescem no topo da estrutura do poder enquanto a maioria dos brasileiros enfrenta sacrifícios diários para sobreviver. Essa lógica alimenta a descrença nas instituições e reforça a sensação de que o Congresso vive em uma bolha, distante do Brasil real.

A falta de transparência em decisões como essa agrava ainda mais o cenário. Muitas vezes, votações que impactam diretamente os cofres públicos não recebem o debate necessário com a sociedade, nem a clareza sobre quem vota a favor ou contra medidas tão sensíveis. Isso fragiliza a confiança no processo democrático e amplia o sentimento de abandono por parte do cidadão comum.

Não por acaso, cresce a percepção de que este seja o pior Congresso de todos os tempos. Não apenas por um episódio isolado, mas por um conjunto de práticas que passam a imagem de descaso, autoproteção e ausência de compromisso com as reais necessidades do país. Saúde, educação, segurança, combate à pobreza e geração de emprego seguem como desafios urgentes, enquanto o Legislativo parece frequentemente focado em preservar estruturas e privilégios.

Há quem defenda o reajuste como uma necessidade administrativa para manter equipes funcionando, mas esse argumento encontra pouca empatia em um cenário onde milhões de trabalhadores não têm qualquer garantia de reajuste salarial ou estabilidade. Para a população, manter assessorias deveria ser parte da responsabilidade do mandato, e não um motivo para ampliar gastos sem uma contrapartida clara em benefício da sociedade.

Mais do que números, o aumento da verba de gabinete expõe uma profunda crise de representatividade. Ele convida o cidadão a refletir se está, de fato, satisfeito com quem o representa e se o Congresso Nacional está cumprindo seu papel constitucional de servir ao povo brasileiro. Em tempos de tantas dificuldades, decisões como essa reforçam a percepção de que o poder político segue distante da realidade de quem sustenta o Estado com impostos e trabalho duro.

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