Em pregação durante culto ontem, 8, o pastor Wagner Duarte, líder de uma igreja evangélica em Quixadá, fez duras críticas aos gastos públicos com o Carnaval local, estimados em cerca de R$ 2 milhões só com os cantores de fora da cidade, só a cantora Ana Castela vai custar cerca de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por cada minuto que ela estiver no palco, e conclamou os fiéis a orarem por “quatro dias de muita chuva” durante o período da festa, com o objetivo de atrapalhar os eventos programados.
Segundo o pastor, enquanto a cidade “passa por muitas dificuldades”, o poder público estaria investindo alto em uma “festa mundana”. Em tom de apelo, ele desafiou a congregação a se unir em oração para que chuvas intensas ocorram entre os dias 14 e 17 de fevereiro, período em que estão marcadas as apresentações na praça central.
“Você tem coragem de entrar em uma campanha comigo? Para que, pastor? Para Jesus mandar quatro noites de chuva naquela praça, amém? Quem esticou o cabelo vai perder o dinheiro porque não vai conseguir chegar na praça, tem alguém crendo assim?”, questionou, em outro trecho da pregação. “Quem armazenou bebidas para ir de noite para se desgraçar não vai conseguir chegar lá.”
O pastor continuou: “E quem está gastando um milhão, dois milhões para colocar o povo para se desgraçar na praça, escuta: isso não é campanha política não, é porque quem paga milhões para desgraçar o povo enquanto o povo está sofrendo merece passar vergonha, sim ou não?”.
Ao final, reforçou o apelo: “Se você não vai orar comigo, eu vou orar para Jesus para mandar muita chuva dia 14, dia 15, dia 16 e dia 17”.
A prefeitura de Quixadá divulgou recentemente um gasto imoral de cerca de R$ 2 milhões no Carnaval 2026, com contratação de atrações musicais de fora da região. A justificativa é a de movimentar o turismo e a economia local. A fala do pastor, no entanto, reacende o debate sobre prioridades de gastos em um município que, como tantos outros no interior do Nordeste, enfrenta problemas com a saúde, sociais e econômicos.
A assessoria da prefeitura ainda não se manifestou publicamente sobre as declarações do pastor. Nas redes sociais, as opiniões se dividem: de um lado, apoiadores da crítica do pastor, em geral religiosos e principalmente as pessoas que sofrem diretamente com a falta de medicamentos, exames e tratamentos de saúde na rede pública; de outro, defensores da festa, que, em sua maioria, não dependem dos serviços públicos de saúde em caso de necessidade.
