O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-CE) realizou, através da Escola Judicial, na última sexta-feira, 6, a Aula Magna “Desafios e funções do Direito na era digital”, ministrada pelo jurista André Ramos Tavares. O evento, ocorrido no auditório da Escola Judicial (Ejud-7), promoveu um debate profundo sobre como as transformações tecnológicas globais redefinem o papel do Judiciário e a própria essência da humanidade frente às plataformas digitais.
A desembargadora presidente Fernanda Uchôa abriu a solenidade destacando o evento como um marco acadêmico especial para o Tribunal.
“Mais do que marcar o início das atividades formativas, este evento simboliza o compromisso permanente do Poder Judiciário com a reflexão crítica, o aprimoramento institucional e o diálogo aberto com a sociedade”, afirmou a magistrada, celebrando a presença do palestrante convidado por sua vasta contribuição ao pensamento jurídico contemporâneo.
A disrupção e o desafio jurídico
O palestrante, professor doutor André Ramos Tavares (USP), abordou a transição para a Quarta Revolução Industrial. Para o jurista, o Judiciário é o primeiro órgão provocado a responder às rupturas causadas pelas novas tecnologias, o que exige dos magistrados e operadores um conhecimento que extrapola as fronteiras tradicionais do Direito.
Tavares ressaltou que vivemos uma ruptura com os processos tradicionais da sociedade, muitas vezes baseados em instituições milenares. “A ideia de disrupção aparece porque todos reconhecemos que estamos inseridos em desafios nunca antes experimentados pela humanidade. É preciso entender o novo modelo implantado pelas plataformas em escala global para compreendermos os desafios postos”, explicou.
O ser humano como centralidade
No encerramento, o diretor da Escola Judicial, desembargador Paulo Régis Machado Botelho, trouxe uma reflexão sensível sobre os limites do progresso tecnológico. Ele questionou até que ponto as plataformas digitais passarão a guiar os destinos humanos, alertando para o risco de o indivíduo tornar-se um “objeto descartável ou numeral” perante a tecnologia.
“A tecnologia é progresso em um determinado sentido, mas em outro, ao meu ver, é um retrocesso se perdermos o homem como centralidade. É uma reflexão que nos ajuda a perceber o que está se passando no mundo digital e no mundo do Direito”, pontuou o Diretor.
O evento teve a presença de magistrados, procuradores, advogados, servidores e estudantes que lotaram o auditório da Escola Judicial.




