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Orelha no Carnaval: Quando a memória vira samba e ensina sobre amor e lealdade

Ao homenagear Orelha, a escola reafirmou que a festa popular também é território de empatia, respeito e memória coletiva. A arte tem esse poder de transformar histórias aparentemente pequenas em mensagens universais

Foto: Giovanna Fraguito/VEJA

No meio da alegria contagiante do Carnaval, uma homenagem emocionou foliões e transformou desfile em reflexão. A história do cão Orelha, símbolo de carinho, fidelidade e afeto comunitário, ganhou espaço na avenida e mostrou que o samba também pode ser instrumento de memória, consciência e humanidade.

A escola responsável pela homenagem foi a Acadêmicos do Grande Rio, uma das mais tradicionais agremiações do Carnaval brasileiro. Conhecida por enredos que dialogam com temas sociais e culturais relevantes, a escola levou para a avenida não apenas fantasias e alegorias, mas uma narrativa carregada de sensibilidade. Ao transformar a história de um animal em tema de desfile, a Grande Rio reforçou algo essencial: o Carnaval não é apenas espetáculo, é também mensagem.

Orelha se tornou conhecido pela sua presença marcante, pela relação afetuosa com a comunidade e pela forma como simbolizava lealdade em tempos cada vez mais marcados pela pressa e pela indiferença. Em um mundo onde muitas histórias passam despercebidas, a decisão de eternizá lo no samba foi um gesto de reconhecimento coletivo. A avenida virou palco de gratidão.

A homenagem também provoca uma reflexão importante sobre a maneira como tratamos os animais e como eles ocupam espaço afetivo em nossas vidas. Não se trata apenas de um cão lembrado em meio à festa, mas de um símbolo de vínculos sinceros, daqueles que não exigem palavras, apenas presença. Em tempos de relações frágeis e descartáveis, a figura de Orelha resgata valores simples e profundos.

O Carnaval, muitas vezes visto apenas como entretenimento, mostra sua potência cultural quando abre espaço para narrativas que emocionam e educam. Ao homenagear Orelha, a escola reafirmou que a festa popular também é território de empatia, respeito e memória coletiva. A arte tem esse poder de transformar histórias aparentemente pequenas em mensagens universais.

Mais do que uma celebração, o desfile foi um convite à reflexão. Que tipo de legado estamos construindo nas nossas comunidades? Estamos atentos às histórias que realmente importam? A homenagem ao cão Orelha mostrou que grandeza não está no tamanho, mas no significado.

No fim das contas, entre batuques e aplausos, ficou a certeza de que o amor, mesmo quando silencioso, encontra sempre uma forma de ecoar. E naquele Carnaval, ele ecoou em forma de samba.

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