A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para apurar a tentativa de suicídio de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” do banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto estava preso. As informações são da coluna da jornalista Carla Araújo, do UOL.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou à coluna que toda a ação e o atendimento prestado pelos policiais foram registrados em vídeo, sem pontos cegos. Segundo ele, a abertura da investigação é procedimento padrão em casos como esse.
O UOL apurou que foi iniciado protocolo médico para verificar a morte cerebral de Mourão. No entanto, o advogado da família declarou ontem que o estado de saúde ainda não foi confirmado.
A PF informou que Mourão tentou tirar a própria vida na Superintendência da corporação em Minas Gerais. Ele recebeu procedimentos de reanimação, foi atendido pelo Samu e encaminhado ao Hospital João 23, em Belo Horizonte, onde permanece internado.
A defesa afirmou que esteve com Mourão até por volta das 14h, quando ele se encontrava “em plena integridade física e mental”. Em nota, os advogados Robson Lucas e Vicente Salgueiro disseram que só tiveram conhecimento do incidente após comunicado oficial da PF.
A corporação divulgou nova nota à noite, informando que atualizações sobre o estado de saúde do preso serão repassadas após avaliação da equipe médica.
Mourão havia sido detido na Operação Compliance Zero. De acordo com a PF, ele liderava um grupo responsável por monitorar alvos e planejar ações de intimidação a mando de Vorcaro, também preso. O banqueiro chamava Mourão de “Sicário” (matador de aluguel). No celular de Vorcaro, foram encontradas mensagens em que ambos planejavam agredir o jornalista Lauro Jardim, de *O Globo*. Vorcaro negou intenção de ameaçar jornalistas e disse que suas mensagens foram tiradas de contexto.
Segundo a PF, o grupo tinha acesso a bases de dados oficiais, e Mourão seria responsável por consultar sistemas da própria corporação e até do FBI para levantar informações de pessoas indicadas por Vorcaro.
Além disso, Mourão já respondia a outro processo por lavagem de dinheiro e organização criminosa em Minas Gerais. O Ministério Público (MP) denunciou que, entre 2018 e 2021, ele e outros dez acusados criaram um esquema de pirâmide financeira para atrair investidores em todo o país. A denúncia foi aceita pela Justiça em 2021.
O MP afirma que o grupo divulgava anúncios com informações falsas para oferecer serviços de assessoria e investimentos, operando por meio de empresas de fachada. Centenas de vítimas recorreram à Justiça para tentar recuperar os valores aplicados.
As investigações apontaram movimentações financeiras atípicas de Mourão: R$ 24,9 milhões em uma conta bancária entre junho e julho de 2021. Uma de suas empresas, a King Motors, movimentou R$ 3,3 milhões no mesmo período.
