Dormir alguns minutos a mais, caminhar um pouco além do habitual e incluir mais vegetais na rotina alimentar podem parecer atitudes simples, mas têm potencial relevante para a saúde do coração. É o que revela um estudo divulgado pela Sociedade Europeia de Cardiologia.
A pesquisa acompanhou mais de 53 mil adultos durante oito anos para analisar como três pilares do estilo de vida, sono, atividade física e alimentação, influenciam o risco de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram dados coletados tanto por dispositivos eletrônicos, como smartwatches, quanto por questionários sobre hábitos alimentares. Dietas consideradas mais saudáveis incluíam maior consumo de frutas, vegetais, peixes, grãos integrais e óleos vegetais, além de menor ingestão de alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas e bebidas açucaradas.
Impacto de mudanças simples
Um dos principais destaques do estudo é que alterações modestas já fazem diferença. Dormir apenas 11 minutos a mais por noite, praticar cerca de 4,5 minutos extras de atividade física moderada a vigorosa e adicionar uma pequena porção de vegetais ao dia estiveram associados a uma redução de 10% no risco de problemas cardiovasculares.
Já um cenário considerado ideal, com sono entre oito e nove horas, mais de 42 minutos diários de atividade física e alimentação equilibrada, foi ligado a uma redução de até 57% nesse risco.
Segundo o pesquisador Emmanuel Stamatakis, um dos responsáveis pelo estudo, pequenas adaptações na rotina tendem a ser mais viáveis do que mudanças radicais. Ele destaca ainda que esses hábitos se influenciam mutuamente: dormir melhor pode aumentar a disposição para exercícios, que por sua vez favorecem escolhas alimentares mais saudáveis.
Limitações e próximos passos
Por se tratar de um estudo observacional, os resultados não estabelecem uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, reforçam evidências já conhecidas de que sono, alimentação e atividade física estão interligados e impactam conjuntamente a saúde.
O autor principal, Nicholas Koemel, afirma que a combinação de pequenas mudanças pode ser mais sustentável para a maioria das pessoas. A equipe pretende avançar na pesquisa com o desenvolvimento de ferramentas digitais que incentivem hábitos saudáveis no dia a dia.
Os dados também apontam como esses fatores se conectam: noites mal dormidas podem afetar hormônios do apetite, aumentando o consumo de alimentos, enquanto a prática de exercícios tende a melhorar a qualidade do sono e os níveis de energia.
