A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava irregularidades no INSS encerrou suas atividades sem aprovar um relatório final. O texto apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), que sugeria o indiciamento de mais de 200 pessoas, foi rejeitado por 19 votos contra 12, representando um revés para a oposição e uma vitória para os parlamentares alinhados ao governo Lula (PT).
Instalada em agosto do ano passado, a CPMI funcionou por sete meses, período marcado por intensos confrontos entre governistas e oposicionistas. A sessão dessa sexta-feira, 27, não fugiu à regra, ocorrendo logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar a prorrogação do prazo da comissão. Por 8 votos a 2, o plenário derrubou a liminar do ministro André Mendonça que permitia estender os trabalhos.
O parecer de Gaspar, com cerca de 4,3 mil páginas, incluía nomes como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. Já o documento elaborado pela base governista, apelidado de “Relatório da Maioria”, defendia o indiciamento de 131 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, acusados de crimes como organização criminosa e improbidade administrativa.
O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu não designar novo relator e encerrou os trabalhos sem encaminhar o relatório alternativo dos governistas.
Durante sua existência, a CPMI enfrentou embates com o STF, que concedeu habeas corpus a investigados e testemunhas, permitindo silêncio em depoimentos. Houve ainda episódios polêmicos, como o vazamento de dados sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o que levou o ministro André Mendonça a restringir o acesso da comissão a documentos e equipamentos apreendidos.
