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Dragão do Mar realiza edição especial do programa Guardiãs das Encantarias sobre labirinto com Mestra Bia

A atividade, realizada sob um “céu de labirintos”, é gratuita e integra a programação de aniversário do centro cultural.

Foto: Divulgação/Governo do Estado

Neste domingo, 26, às 16h, a Varanda dos Museus do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM), recebe uma edição especial do programa Guardiãs das Encantarias, em celebração aos 27 anos do centro cultural. Em consonância com a temática “Não Existe Chico Sem Matilde”, a roda de conversa reúne a labirinteira Maria Beatriz Andrade da Cunha, a Mestra Bia, além da também labirinteira Aíla Maria da Silva e da empreendedora social Annick Eva, com mediação da jornalista e pesquisadora Izabel Gurgel. Sob um céu de labirintos, o bate-papo homenageia a mestra e gira em torno de uma preciosidade do artesanato cearense: o ofício do labirinto, tipo de renda que resiste à extinção e atravessa gerações, firmando-se como patrimônio cultural do litoral nordestino.

Sobre as convidadas

Aos 86 anos, Maria Beatriz Andrade da Cunha, a Mestra Bia, é homenageada nos 27 anos do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Natural de Majorlândia (Aracati), é reconhecida como uma das mais importantes guardiãs do labirinto no Ceará. Sua relação com o ofício começou ainda na infância, por volta dos oito anos, aprendendo com a mãe a técnica artesanal enquanto ajudava no sustento de uma família numerosa. Mais do que artesã das manualidades, Mestra Bia também é memória viva, porta-voz de narrativas que remontam às origens dessa prática na região, tornando sua presença um testemunho vivo de um patrimônio cultural de valor inestimável.

É através da memória oral de mestra Bia que o Centro Dragão do Mar também recupera e homenageia a figura de Matilde Maria da Conceição, mãe de Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde, herói abolicionista de origem popular que entrou para a história como o Dragão do Mar. Para a também homenageada Mestra Bia, Matilde, como ela nascida na vila do Aracati, mais precisamente na Praia de Canoa Quebrada, era uma provável labirinteira, matriarca de uma família monoparental que, acompanhando à distância a trajetória do filho Chico, fez coro à sua luta abolicionista, participando de quermesses junto à Igreja e às chamadas Senhoras da Caridade, a fim de arrecadar fundos para o movimento em ebulição. Como mãe, Matilde seria o pilar da formação de caráter e valores do Chico da Matilde que se tornaria prático-mor do porto de Fortaleza e lideraria jangadeiros cearenses decididos a impedir o tráfico marítimo interprovincial de pessoas escravizadas ainda em 1881, três anos antes de decretada a Lei Áurea no Brasil.

Junto a ela, a labirinteira da Prainha do Canto Verde, Aíla Maria da Silva Fernandes, de 62 anos, enriquece o encontro a partir de sua própria experiência com as mulheres de sua família, em um contexto em que o artesanato era fundamental para complementar a renda da pesca artesanal. Ao longo de sua trajetória, Aíla não apenas preservou esse saber ancestral, como também o reinventou, transformando-o em fonte de sustento, autonomia e expressão criativa. Hoje atua ao lado da filha à frente da marca Arveri, com produção que circula em sua própria lojinha, mas também através de parcerias com iniciativas de design autoral, como a marca Catarina Mina.

Outra convidada especial para a roda de conversa é, Annick Eva, empreendedora social, diretora criativa e idealizadora do coletivo cultural Céu de Labirinto, liderando o projeto homônimo desenvolvido com as labirinteiras da Praia de Canoa Quebrada onde um teto com grandes peças de labirintos pode ser montado em ruas e outros espaços expositivos. Esse Céu de Labirintos também chega ao Centro Dragão do Mar e ficará durante três meses montado na Varanda dos Museus, onde acontecerá o bate-papo. O projeto Céu de Labirinto é uma iniciativa comunitária que busca valorizar e reposicionar o labirinto no mercado, gerando novas oportunidades de renda e visibilidade para as mulheres labirinteiras, ao mesmo tempo em que fortalece a preservação e circulação de seus saberes.

A mediação da roda de conversa fica por conta de Izabel Gurgel, pesquisadora que se dedica ao mapeamento e à valorização das mulheres rendeiras no Ceará. Izabel conduz esta edição especial do Guardiãs das Encantarias ampliando a compreensão sobre o protagonismo e relevância das mulheres na produção artística e cultural brasileira.

Serviço
Guardiãs das Encantarias, com Mestra Bia;
Domingo, 26 de abril, 16h às 18h;
Varanda dos Museus;
Gratuito/Livre.

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