Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral carregando muito mais do que a responsabilidade de conduzir as eleições de 2026. Assume o comando da Justiça Eleitoral em um dos períodos mais tensos da democracia brasileira, cercado pela polarização política, pela explosão das fake news e pelo avanço da inteligência artificial nas campanhas.
Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques chega ao TSE tentando construir uma imagem de magistrado de centro, moderado e defensor da neutralidade institucional. No discurso de posse, falou em “equilíbrio”, “prudência” e deixou um recado claro: “não cabe à Justiça Eleitoral escolher vencedores”.
A frase não foi dita por acaso. Ela conversa diretamente com as críticas feitas por setores da direita ao protagonismo recente do Judiciário nas eleições e, ao mesmo tempo, tenta tranquilizar o campo político diante do desgaste institucional vivido pelo país nos últimos anos.
Nos bastidores de Brasília, a leitura é de que Nunes Marques tentará conduzir o TSE com menos exposição e menos tensão política do que em períodos recentes. Há quem veja nisso serenidade institucional. Outros enxergam cautela excessiva diante dos ataques ao sistema eleitoral.
O fato é que o novo presidente da Corte terá um desafio gigantesco: impedir que a inteligência artificial transforme as eleições em um território sem controle. O próprio ministro admitiu preocupação com o uso desordenado da tecnologia e com os riscos da manipulação digital sobre o voto popular.
Nunes Marques chega ao comando do TSE tentando ocupar um espaço raro no Brasil de hoje: o da moderação. Mas em tempos de extremos, até o centro virou campo de batalha.




