No Brasil, o escândalo tem prazo de validade curto e memória seletiva. Dependendo do lado da arquibancada, o que ontem era tratado como “crime gravíssimo” hoje vira apenas “narrativa”, “contexto” ou um silêncio cuidadosamente conveniente.
A verdade é que o caso do Banco Master acabou servindo como espelho de um país onde muita gente aponta o dedo com uma mão, enquanto segura a agenda secreta com a outra. Quando começam a surgir cifras milionárias, encontros discretos, repasses curiosos e produções cinematográficas dignas de roteiro político, desaparecem rapidamente os santos, os puros e os indignados de ocasião.
No fim, não escapou ninguém.
Existe o lado A, o lado B, o lado C e o lado D. E, olhando mais de perto, talvez ainda existam bastidores que nem chegaram ao público. A política brasileira, em muitos momentos, parece caminhar de mãos dadas com interesses que pouco têm a ver com transparência. Adversários no discurso, aliados na conveniência. Divergentes diante das câmeras, alinhados quando o assunto passa longe dos holofotes.
Enquanto isso, o cidadão acompanha tudo dividido entre a indignação, o humor e o cansaço. Uns pedem investigação. Outros pedem prudência. Alguns preferem silêncio absoluto.
O povo, esse sim, continua esperando que algum dia se abram de verdade as portas da esperança, e que elas não deem acesso apenas aos mesmos corredores de sempre.
