O desgaste na relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é tratado no Palácio do Planalto como um fator que pode afetar o avanço de propostas consideradas estratégicas para o governo federal. A informação é do Metrópoles.
Nos bastidores, integrantes do governo entendem que a tramitação de pautas prioritárias no Senado é fundamental para fortalecer a agenda política de Lula e ampliar a popularidade do presidente.
Mesmo diante das divergências recentes, aliados afirmam que Lula tem evitado ampliar publicamente os atritos com Alcolumbre. A avaliação dentro do Planalto é de que um rompimento com o comando do Congresso poderia dificultar ainda mais negociações importantes para o Executivo.
Interlocutores do governo apontam que essa postura conciliadora ficou evidente após a derrota de Jorge Messias no Senado. Segundo relatos de integrantes do Planalto, o presidente preferiu evitar o agravamento da crise política com o chefe da Casa.
Paralelamente, o governo também aposta na relação construída com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para avançar em temas considerados prioritários.
Um exemplo citado por integrantes do Executivo é a proposta de mudança na jornada de trabalho conhecida como fim da escala 6×1. O tema ganhou andamento na Câmara após decisão de Hugo Motta de impulsionar a tramitação ainda em abril, com expectativa de votação neste mês.
Embora o governo tenha desistido de enviar inicialmente um projeto próprio e passado a apoiar a tramitação de uma PEC sobre o assunto, Motta anunciou nesta quarta-feira, 13, que também pretende levar adiante a proposta elaborada pelo próprio Planalto para regulamentar pontos da medida.
Apesar do avanço na Câmara, integrantes do governo reconhecem que a aprovação definitiva ainda depende do ambiente político no Senado. Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que Alcolumbre possui influência significativa sobre líderes partidários da Casa, especialmente nas negociações envolvendo temas institucionais e a relação entre os Poderes.
Reservadamente, interlocutores descrevem o senador como um articulador de forte atuação nos bastidores e perfil discreto nos embates públicos, mas com grande capacidade de influência nas decisões internas do Senado.
