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Mário Frias recua após negar dinheiro ligado ao Banco Master em filme sobre Bolsonaro

Deputado afirmou que houve “diferença de interpretação” sobre origem formal dos investimentos no longa “Dark Horse”

Foto: Reprodução/Redes sociais

O deputado federal Mário Frias recuou após afirmar que o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro não havia recebido “um centavo do Master”. Em uma nova nota divulgada cerca de 20 horas após o primeiro comunicado, Frias declarou que “não há contradição material” nas versões apresentadas sobre o financiamento do projeto. A informação é do portal G1.

Segundo o parlamentar, a divergência ocorreu por uma “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”. Ele afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master “não são e nunca foram signatários de relacionamento jurídico” ligado ao filme.

A produtora GOUP Entertainment também divulgou nota negando que o longa “Dark Horse” tenha recebido recursos diretamente de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob controle do banqueiro.

A repercussão ocorre após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro por pagamentos atrasados relacionados à produção do filme. Segundo a reportagem, o empresário teria pago cerca de R$ 61 milhões para financiar o projeto.

Após a divulgação do áudio, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo confirmando que pediu recursos ao banqueiro para a produção do filme, mas negou irregularidades. Segundo ele, havia um contrato e o atraso nos pagamentos colocava em risco a conclusão da obra.

Em meio à repercussão, estreou nesta quinta-feira o documentário “A Colisão dos Destinos”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro desde a infância até a Presidência da República.

Apesar das negativas sobre recursos diretos do Banco Master, a GOUP Entertainment afirmou que parte do dinheiro do projeto circulou por meio da empresa Entre Investimentos, apontada como intermediadora de repasses entre Vorcaro e a produção do longa.

Dados de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontam que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por suposta participação em fraude envolvendo o Banco Master.

Segundo a reportagem, ainda não há informações sobre quanto desse montante foi efetivamente destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”.

O acordo para a produção previa pagamentos de R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido pagos, conforme revelou o The Intercept Brasil.

No primeiro comunicado, Mário Frias afirmou que Flávio Bolsonaro não possui participação societária no filme nem na produtora, tendo apenas cedido os direitos de imagem da família Bolsonaro. O deputado também disse que o projeto é uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, financiada integralmente com capital privado e sem uso de recursos públicos.

Frias ainda afirmou que o longa vem sendo alvo de “ataques direcionados” e de tentativas de descredibilização por motivações “políticas e ideológicas”.

A GOUP Entertainment declarou que a legislação norte-americana sobre captação privada de recursos no setor audiovisual impede a divulgação da identidade de investidores protegidos por acordos de confidencialidade, conhecidos como NDAs.

A produtora também afirmou que conversas ou apresentações do projeto a empresários não configuram, necessariamente, investimento ou transferência de recursos, e disse repudiar “tentativas de associação indevida” entre o filme e fatos externos sem comprovação documental, financeira ou contratual.

Leia a íntegra da primeira nota de Mário Frias

“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço:

  1. O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio.
  2. Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco.
  3. Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido.
  4. ⁠Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.
  5. Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir.

Deputado Federal Mário Frias, produtor executivo”.

Leia a íntegra da segunda nota enviada por Mário Frias

“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, esclareço que não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento.

Quando afirmei anteriormente que não há “um centavo do Master” no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta.

Reitero que o senador Flávio Bolsonaro e o Deputado Eduardo Bolsonaro não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer outra estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público.

Deputado Federal Mário Frias
Produtor Executivo”

Leia a íntegra da nota da GOUP Entertainment

“Comunicado GOUP Entertainment:

“A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.

Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.

A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.

Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos — sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.

A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.

A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações”.”

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