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Quem vai ficar com quem? O Ceará vive uma das fases políticas mais imprevisíveis dos últimos anos

A movimentação mostra como o pragmatismo eleitoral começa a pesar mais do que antigas disputas ideológicas, especialmente quando o objetivo é não perder espaço político

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A política cearense entrou de vez em um momento de rearranjos improváveis, alianças desconfortáveis e silêncios intencionais. O que antes parecia impensável hoje já circula nos bastidores com naturalidade.

Um dos exemplos mais simbólicos é o movimento de Luizianne Lins. Após anos de tensão interna no PT e de embates diretos com setores do grupo governista, a deputada federal passou a admitir a possibilidade de apoiar Elmano de Freitas. A movimentação mostra como o pragmatismo eleitoral começa a pesar mais do que antigas disputas ideológicas, especialmente quando o objetivo é não perder espaço político.

Ao mesmo tempo, Cid Gomes segue sendo uma das peças mais imprevisíveis. O senador evita declarar apoio explícito nem ao irmão, Ciro Gomes, nem ao governador Elmano. Esse silêncio não é casual. Cid tenta preservar margem de articulação enquanto observa para onde o vento político sopra, principalmente diante da fragmentação da oposição e da força institucional da base governista.

No Ceará, onde alianças costumam ser construídas muito mais pela viabilidade eleitoral do que pela afinidade pública, esse tipo de cautela vale ouro. Mas tudo tem limite. Em algum momento, Cid precisará escolher um dos lados, e essa definição pode mudar muitos cálculos.

Ciro Gomes vive talvez o movimento mais delicado de sua trajetória recente. A aproximação com setores bolsonaristas e figuras da direita mais conservadora cria um teste político difícil para alguém que construiu carreira atacando justamente esse campo ideológico.

No Ceará, parte do eleitorado ainda associa Ciro a um discurso mais técnico, nacional-desenvolvimentista e crítico ao extremismo. A dúvida é até onde ele conseguirá sustentar uma convivência política com aliados ligados ao bolsonarismo sem entrar em contradição pública.

Em debates e entrevistas, por exemplo, será difícil escapar de perguntas envolvendo nomes como Flávio Bolsonaro ou pautas que historicamente confrontaram o discurso cirista. E Ciro não é o tipo de pessoa que escolhe o silêncio diante de temas espinhosos.

O que se desenha é um cenário de alianças cada vez menos previsíveis e discursos cada vez mais adaptáveis à sobrevivência política. Mas as eleições estão batendo na porta. Não dá mais pra ficar sentado na sombra esperando por definições.

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