Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, foi deflagrada na manhã desta quinta-feira, 28, para investigar um suposto esquema de fraude, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis e ao sistema financeiro.
Batizada de “Fluxo Oculto”, a ação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. As diligências têm como alvo pessoas físicas e empresas investigadas por participação no esquema.
A ação é um nova fase da Operação Carbono Oculto, que revelou o avanço do crime organizado no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos e de investimentos em agosto de 2025. Na época, pessoas e empresas foram alvos por suspeitas de ajudar o PCC a esconder o dinheiro obtido nos crimes. Apesar disso, as investigações apontaram que a organização criminosa continuou agindo para lavar dinheiro, adulterar combustíveis e sonegar impostos.
Na capital paulista, mandados foram cumpridos em endereços localizados na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no Itaim Bibi, além de imóveis próximos à região. Outras cidades do estado de São Paulo também são alvo da operação, como Barueri, Santos, Sorocaba, Paulínia e São José do Rio Preto.
Segundo as investigações, seis instituições financeiras atuariam como “bancos paralelos” de uma organização criminosa ligada ao mercado de combustíveis. O grupo também é suspeito de manter operações financeiras clandestinas para distribuidoras e postos de combustíveis, incluindo movimentações entre empresas, fundos de investimento e pagamentos pessoais de operadores do esquema.
A Receita Federal informou que as instituições investigadas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Parte dessas operações teria ocorrido por meio de depósitos em espécie e abertura de contas em outras instituições financeiras, o que, segundo os investigadores, ajudava a ocultar a origem dos recursos.
Uma das empresas investigadas teria recebido mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024. Além disso, as apurações identificaram transações de ao menos R$ 365 milhões em criptoativos relacionadas às instituições sob investigação.
A operação também apura suspeitas de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica e desvio do produto para postos e terminais. De acordo com o Ministério Público, empresas de fachada eram abertas em diferentes estados para simular a compra de solventes, que depois seriam desviados para São Paulo.
As investigações apontam ainda que empresas eram registradas em nome de parentes dos investigados, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até detentos. Segundo a Receita Federal, o esquema envolvendo o desvio de nafta causou prejuízo estimado em R$ 200 milhões em tributos ao longo de dois anos.
Quatro fundos de investimento, com patrimônio total de R$ 205 milhões, também passaram a ser investigados por suspeita de participação no esquema. De acordo com o Ministério Público paulista, essas empresas tiveram crescimento patrimonial superior a 200% em pouco mais de um ano.
Participam da operação cerca de 135 servidores da Receita Federal, além de integrantes do Gaeco, policiais militares e servidores da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
