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Governo suspende uso da vacina contra a dengue do Butantan após reações adversas

De acordo com o ministério, cerca de 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando os sistemas de vigilância identificaram 42 notificações de eventos adversos mais severos

Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira, 8, a interrupção temporária da aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o monitoramento pós-vacinação identificar dezenas de ocorrências consideradas graves entre pessoas imunizadas.

O comunicado foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante entrevista coletiva. Segundo ele, a suspensão é preventiva e permanecerá em vigor até que sejam concluídas investigações sobre os casos registrados.

A decisão impacta a vacinação de profissionais da atenção básica em todo o país, além de projetos específicos que estavam sendo desenvolvidos em municípios como Botucatu, Nova Lima, Ibaranguá e em localidades da região do Araguaia, no estado do Tocantins.

De acordo com o ministério, cerca de 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando os sistemas de vigilância identificaram 42 notificações de eventos adversos mais severos. Parte dessas ocorrências chamou a atenção das autoridades por não ter sido observada durante as etapas de testes clínicos realizadas antes da aprovação do imunizante.

Entre os registros analisados, três casos foram classificados como graves, incluindo duas mortes que seguem sob investigação. Até o momento, porém, os técnicos não encontraram evidências que comprovem ligação direta entre a vacinação e os desfechos observados.

Apesar de os números representarem uma baixa frequência em relação ao total de doses administradas, o governo federal optou por interromper temporariamente a estratégia de imunização por precaução. A intenção é permitir uma análise mais aprofundada dos episódios reportados e verificar se existe algum fator comum entre os pacientes afetados.

As doses já distribuídas não serão descartadas. A orientação é que permaneçam armazenadas nas redes de refrigeração dos estados e municípios até que haja uma definição sobre a continuidade do uso do imunizante.

O Ministério da Saúde também reforçou que pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a dengue. Segundo a pasta, os estudos realizados apontam eficácia contra os quatro sorotipos do vírus. Além disso, indivíduos imunizados nos últimos 21 dias passarão por acompanhamento mais próximo para identificar eventuais sinais de alerta.

A investigação será conduzida em conjunto pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e pelo Instituto Butantan. Entre os pontos analisados estão os relatos de reações adversas, possíveis fatores de risco compartilhados pelos pacientes e aspectos relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.

A recomendação de suspensão temporária recebeu aval do Comitê Nacional de Farmacovigilância e foi apresentada ao Comitê Técnico Assessor em Imunizações, responsável por orientar as estratégias do Programa Nacional de Imunizações.

Durante a coletiva, Padilha destacou ainda que o país alcançou, em 2025, os melhores índices de cobertura vacinal dos últimos nove anos, com taxas superiores a 90%. Ele também afirmou que houve redução expressiva nos casos e nas mortes por dengue nos primeiros meses de 2026 em comparação com os números registrados em 2024.

Mesmo com a melhora dos indicadores, o ministro ressaltou que a doença continua sendo um desafio para a saúde pública e afirmou que a vacinação seguirá como uma importante ferramenta de prevenção após a conclusão das investigações.

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