Durante muito tempo, a violência doméstica foi tratada como um problema de portas fechadas. Uma questão que acontecia dentro de casa e que, segundo muitos, não dizia respeito a mais ninguém. Felizmente, a sociedade está mudando.
Nesta semana, a Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará reforçou uma orientação importante: síndicos e administradores de condomínios têm o dever legal de comunicar às autoridades casos ou indícios de violência doméstica. A medida representa muito mais do que uma obrigação jurídica. Ela simboliza um avanço da consciência coletiva e da proteção à vida.
O agressor quase sempre conta com o silêncio. Conta com o medo da vítima e com a omissão de quem presencia os sinais de violência. Por isso, a denúncia deixou de ser apenas um ato de coragem. Tornou-se também um compromisso social.
É verdade que todos valorizamos a privacidade. Mas existe uma diferença enorme entre respeitar a vida privada e ignorar situações que colocam pessoas em risco. Quando há indícios de agressão, ameaças ou sofrimento constante, o silêncio deixa de ser neutralidade e passa a favorecer a continuidade da violência.
O Brasil avança, passo a passo, na construção de uma rede de proteção mais forte. Leis, campanhas e ações institucionais mostram que violência doméstica não é um problema particular. É uma questão que afeta toda a sociedade.
Precisamos compreender que denunciar não é interferir na vida de alguém. Denunciar é proteger. É oferecer uma oportunidade para que a vítima seja acolhida antes que a violência produza consequências ainda mais graves.
Porque, muitas vezes, entre uma tragédia anunciada e uma vida salva existe apenas uma decisão: não se calar.
