Home 1 Minuto com Sérgio Machado O Ceará entrou em modo disputa aberta e ninguém quer perder espaço

O Ceará entrou em modo disputa aberta e ninguém quer perder espaço

Estamos numa eleição antecipada. As pesquisas não definem o resultado, mas mudam o comportamento dos grupos. Quem aparece bem vai ganhando coragem; quem aparece ameaçado vai sentindo a pressão. Quem vai conseguir transformar essa força de bastidor em voto?

Foto: Paulo Moska

O cenário político cearense chegou a um ponto de tensão que já antecipa como vai ser o clima dessas eleições. Aumentaram os ataques, os recados públicos, as retóricas e as movimentações de bastidor entre os principais grupos.

De um lado, Elmano de Freitas tenta sustentar a força da máquina estadual com Camilo Santana como maior fiador político, conciliando ainda sua agenda de governo. Do outro, Ciro Gomes, agora no PSDB, tenta transformar sua dianteira em pesquisas em viabilidade eleitoral, aproximando-se de setores que antes estavam em campos opostos ao seu discurso histórico.

A Paraná Pesquisas divulgada em abril apontou Ciro com 46,6% contra 33,9% de Elmano no primeiro turno, o que acendeu o alerta no Palácio da Abolição. Agora, na última pesquisa da Atlas/Focus, Ciro aparece com 53,2% no segundo turno e Elmano com 44,9%. A disputa vai ficando cada vez mais acirrada, assim como os ânimos.

O governismo sabe que não pode tratar esses números como espuma. Elmano tem aprovação acima de 50%, mas enfrenta uma disputa em que Ciro carrega recall, experiência e um eleitorado que ainda o reconhece como uma figura forte na política cearense.

Por isso, Camilo Santana segue como peça central. É ele quem dá sustentação nacional ao projeto do PT no Ceará. A estratégia governista passa por ampliar alianças, segurar Cid Gomes e atrair nomes como Luizianne Lins e Roberto Pessoa.

No campo da oposição, a movimentação também tem seus entraves.

Ciro tenta reorganizar o próprio capital político, mas precisa administrar uma aproximação delicada com lideranças da direita e do bolsonarismo, que ele criticava até pouco tempo. O discurso é que ele apoiará Aécio Neves e seus grandes aliados vão de Flávio Bolsonaro, mas sabemos que a prática pode se mostrar muito diferente.

Capitão Wagner aparece competitivo para o Senado e disputa espaço com nomes ligados ao mesmo campo oposicionista. A Quaest mostrou Cid Gomes e Capitão Wagner tecnicamente empatados, além de nomes como Roberto Cláudio, Luizianne Lins, Eunício Oliveira, Alcides Fernandes e Priscila Costa embolados em vários cenários.

Esse quadro explica o aumento do tom. Ciro mira Elmano e Camilo para tentar enfraquecer o núcleo do poder estadual, seguindo a narrativa do antipetismo da oposição. Já o PT tenta colar em Ciro a imagem de uma aliança contraditória com a direita.

Wagner tenta se consolidar como nome forte ao Senado. Cid, como de costume, observa antes de iniciar as negociações de fato. E, no meio disso, nomes como Roberto Cláudio, Luizianne e Eunício tentam não ficar sem cadeira quando a chapa for fechada. Ninguém quer perder espaço.

Estamos numa eleição antecipada. As pesquisas não definem o resultado, mas mudam o comportamento dos grupos. Quem aparece bem vai ganhando coragem; quem aparece ameaçado vai sentindo a pressão. Quem vai conseguir transformar essa força de bastidor em voto? Vamos acompanhando.

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