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As mulheres deixaram de disputar espaço e agora disputam poder na política cearense

Mulheres hoje disputam vagas ao Senado, cadeiras na Câmara Federal, comando de partidos e protagonismo nas principais articulações eleitorais. Isso não significa que as barreiras desapareceram, mas mostra que o centro das decisões já não é exclusivamente masculino

Foto: Aurélio Alves/Samuel Setubal/FCO FONTENELE/Julio Caesar/O POVO

Durante muito tempo, a presença feminina na política cearense esteve concentrada em pautas de representatividade e na luta por ocupação de espaços. O cenário que começa a se desenhar para 2026 mostra uma mudança importante.

As mulheres deixaram de disputar apenas visibilidade e passaram a disputar poder de fato. Algumas das principais movimentações dos últimos meses têm protagonistas femininas, em diferentes campos ideológicos, influenciando decisões que podem definir os rumos da eleição no Ceará.

Na direita, Michelle Bolsonaro assumiu um protagonismo inédito nas articulações do estado. Ao entrar na disputa pela vaga ao Senado, defendendo publicamente Priscila Costa e confrontando lideranças do PL e da própria família, como André Fernandes e Flávio Bolsonaro, ela expôs que a disputa não acontece apenas entre governo e oposição, mas também dentro da própria direita.

Enquanto isso, Priscila Costa segue aguardando a definição da vaga de deputada federal decorrente da perda de mandato de Dayany Bittencourt, um impasse que mantém a política cearense em suspense e reforça como decisões judiciais também influenciam diretamente a composição de forças para 2026.

No campo da esquerda e do centro, os movimentos também são expressivos.

Luizianne Lins confirmou sua pré-candidatura ao Senado pelo PSOL, recolocando seu nome em uma disputa majoritária depois de anos de embates no PT. Larissa Gaspar segue se consolidando como uma das principais lideranças femininas da esquerda cearense, ampliando seu espaço para além das pautas sindicais e dos direitos das mulheres. Já Jade Romero buscou reposicionar sua trajetória ao ingressar no União Brasil, sustentando que não foi ela quem rompeu com o governo e que permanece fiel ao projeto que defende.

São trajetórias diferentes, mas que revelam uma mesma mudança. As mulheres deixaram de ser apenas apoiadoras coadjuvantes de grandes lideranças masculinas para construir projetos políticos próprios.

O mais interessante é que essa transformação acontece simultaneamente em diferentes espectros ideológicos.

Mulheres hoje disputam vagas ao Senado, cadeiras na Câmara Federal, comando de partidos e protagonismo nas principais articulações eleitorais. Isso não significa que as barreiras desapareceram, mas mostra que o centro das decisões já não é exclusivamente masculino.

A eleição de 2026 poderá ser lembrada não só pelas disputas entre PT, PSDB, PL ou PSOL, mas pelo momento em que as mulheres deixaram de pedir espaço na mesa e passaram a decidir quem senta nela.

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