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Em ano eleitoral, esse é o tipo de erro que pode custar votos

Em um ambiente digital marcado pela velocidade, corrigir uma narrativa costuma ser muito mais difícil do que evitá-la

Foto: Rosane Gurgel/Governo do Estado

Em ano eleitoral, não basta governar. É preciso saber comunicar, antecipar riscos e evitar oferecer à oposição exatamente o tema que ela mais sabe explorar.

No Ceará, esse tem sido um desafio para o governo Elmano de Freitas. O episódio da operação em Acopiara ilustra bem isso. A apreensão de uma grande plantação de maconha poderia ter se transformado em uma demonstração de eficiência das forças de segurança.

Em vez disso, a repercussão mudou de direção quando surgiram críticas de que a área teria ficado sem policiamento, abrindo espaço para denúncias da oposição, especialmente do deputado federal André Fernandes e do seu atual aliado Ciro Gomes.

O debate deixou de ser sobre o combate ao tráfico e passou a ser sobre uma suposta falha operacional.

Esse tipo de situação pesa porque segurança pública talvez seja hoje o principal ativo eleitoral da direita no Brasil. Foi assim nas eleições nacionais dos últimos anos e continua sendo no Ceará. Enquanto o governo tenta destacar indicadores, investimentos e operações policiais, a oposição concentra esforços em episódios que geram sensação de insegurança.

Na política, percepção muitas vezes vale tanto quanto estatística. Um único caso mal explicado pode neutralizar semanas de divulgação de resultados positivos. E o problema não se resume ao acontecido em Acopiara.

Em diferentes momentos, o governo estadual tem reagido depois que a narrativa já está consolidada nas redes sociais. A oposição já entendeu que seu principal papel não é só fiscalizar, mas ocupar rapidamente o espaço da comunicação política. Quando isso acontece, o governo passa a discutir a versão construída pelo adversário, em vez de conduzir o debate.

Em um ambiente digital marcado pela velocidade, corrigir uma narrativa costuma ser muito mais difícil do que evitá-la.

Governos raramente são derrotados apenas pelos problemas que enfrentam, mas pela forma como permitem que esses problemas sejam interpretados pela opinião pública.

Em um cenário eleitoral que promete ser acirrado, deixar pautas abertas justamente na área em que a oposição mais cresce pode custar caro. Quem chega atrasado à conversa acaba ouvindo a história contada pelos outros. Quem controla a narrativa sai na frente.

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