O exílio sempre ocupou páginas importantes da história brasileira. Em diferentes épocas, homens e mulheres foram obrigados a deixar sua terra, seus afetos e suas trincheiras políticas por conta de perseguições, divergências ou mudanças bruscas de regime. Durante a Ditadura Militar (1964-1985), o fenômeno ganhou contornos dramáticos.
Grandes líderes brasileiros, como Leonel Brizola, Miguel Arraes e tantos outros, cruzaram fronteiras levando consigo não apenas malas, mas também sonhos, projetos e a esperança de um dia retornar. Passadas décadas, os tempos são outros, os ventos são democráticos, mas a política continua produzindo seus curiosos exílios.
Nas últimas eleições estaduais, quem anunciou uma espécie de retirada estratégica foi o nosso líder político Cid Gomes. Ex-governador, senador e reconhecido benfeitor de muitas causas cearenses, Cid não foi empurrado para longe por qualquer regime ou adversário. Segundo suas próprias palavras, tratou-se de um “autoexílio”, motivado pelas posições políticas adotadas por seu irmão mais velho, Ciro Gomes.
Mas a política, essa senhora inquieta que nunca dorme, voltou a produzir novos capítulos. Na peleja antecipada pela formação da chapa majoritária que representará a base governista nas próximas eleições, surgem notícias, especulações e versões para todos os gostos. Segundo o Portal O Otimista – que, para muitos observadores, tem servido como tribuna cotidiana dos interesses oposicionistas -, Cid Gomes e Camilo Santana estariam em rota de colisão em razão das discussões sobre a vaga para o Senado Federal.
De um lado, há quem sustente a existência de pressões para que Júnior Mano seja o escolhido. De outro, ecoam vozes afirmando que Camilo Santana e boa parte da base governista preferem a candidatura de Cid Gomes à reeleição, compondo uma disputa que poderia incluir nomes como Eunício Oliveira e Luizianne Lins.
No meio desse tabuleiro ainda coberto por dúvidas, condicionantes e interrogações, corre pelos bastidores uma versão bem-humorada: a de que o nosso estimado Cid Gomes já teria decretado um “novo autoexílio”. Desta vez, porém, nem mesmo os ventos amenos da aprazível Meruoca saberiam informar seu paradeiro.
Enquanto isso, a política segue seu curso, misturando fatos, versões e expectativas, porque, como ensina a sabedoria popular, “onde há fumaça, há fogo”.
