Home Fabrício Moreira da Costa A espetacularização da Segurança Pública

A espetacularização da Segurança Pública

Em última análise, o cenário desvela uma profusão de narrativas desprovidas de eficácia prática. Sobram discursos demagógicos e mínguam os resultados efetivos; há excesso de retórica e absoluta ausência de êxito no mundo real

Foto: Divulgação/Governo do Ceará

A segurança pública é um pilar fundamental do Estado de Direito e, como tal, reveste-se de indubitável seriedade. Não deve, sob hipótese alguma, ser vilipendiada em troca de dividendos eleitorais, tampouco instrumentalizada para desinformar a população e tumultuar o processo democrático.

​A prática de “apagar letreiros” de facções em muros com o fito exclusivo de obter engajamento nas redes sociais beira o escárnio. Trata-se de um cinismo comparável ao do filho que mata os seus próprios genitores e, após cometer o ato, clama por clemência alegando orfandade.

Curiosamente, muitos dos que hoje encenam essa preocupação midiática integram os mesmos grupos políticos que, em um passado recente, defenderam a flexibilização desmesurada da posse e do porte de armas de fogo – a ponto de banalizar sua comercialização. Foram os fiadores de políticas voltadas aos Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs) que, na prática, afrouxaram o controle estatal e suscitaram gravosas consequências no combate à criminalidade.

​Nesse contexto de promessas efêmeras, cumpre rememorar o episódio envolvendo Ciro Gomes, outrora destaque em reportagem do jornal O Povo. Na ocasião, a liderança política anunciou que auxiliaria “voluntariamente” a segurança pública do Estado do Ceará. Contudo, após visitas pontuais a duas ou três comunidades – devidamente registradas em fotografias para fins de divulgação -, o tema dissipou-se de sua agenda. O propalado voluntarismo encerrou-se em um profundo silêncio, sem sequer uma prestação de contas à sociedade.

​Sob outra vertente, observa-se a atual postura do General Theóphilo, figura de proa de seu espectro político no Ceará e pré-candidato ao Senado Federal. Embora dedique expressivo volume de publicações digitais à seara da segurança, impõe-se um questionamento cristalino: qual foi o legado tangível de sua gestão à frente da Secretaria Nacional de Segurança Pública? O que, de fato, foi edificado em prol da pacificação social ao longo de seus anos de atuação direta no Executivo federal?

​Em última análise, o cenário desvela uma profusão de narrativas desprovidas de eficácia prática. Sobram discursos demagógicos e mínguam os resultados efetivos; há excesso de retórica e absoluta ausência de êxito no mundo real.

​Contudo, é imperioso ressaltar que o eleitorado possui memória, discernimento e maturidade.

A sagacidade popular sabe julgar nas urnas e, definitivamente, não deve ser subestimada.

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