A possibilidade de a vereadora Priscila Costa (PL) ser escolhida para compor como vice a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro vai muito além de uma simples indicação regional. Caso a articulação avance, ela sinaliza uma mudança importante na estratégia eleitoral do bolsonarismo, que é fortalecer a presença no Nordeste sem abrir mão da identidade conservadora.
Mulher, nordestina e evangélica, a vereadora reúne características que o PL considera capazes de ampliar o diálogo com segmentos onde a direita ainda busca crescer. Além disso, Priscila construiu uma relação próxima com Michelle Bolsonaro e foi a vereadora mais votada de Fortaleza em 2024, com mais de 35 mil votos, consolidando um capital político próprio.
A movimentação também ajuda a explicar o embate interno que tomou conta da direita cearense nas últimas semanas.
Michelle Bolsonaro fez questão de defender publicamente Priscila Costa para a disputa ao Senado, contrariando a estratégia do grupo liderado por André Fernandes, que trabalha pela candidatura de Alcides Fernandes. Em um dos vídeos divulgados recentemente, Michelle chegou a afirmar que André só alcançou o protagonismo político que tem hoje porque contou com a força de Priscila em sua caminhada.
Agora, ao ver o nome da vereadora ser cogitado para uma chapa presidencial, esse discurso ganha uma dimensão ainda maior. A disputa deixou de ser apenas por uma vaga ao Senado e passou a envolver a projeção nacional de uma liderança cearense.
Há ainda outro componente político nessa equação.
A eventual escolha de Priscila reforçaria o espaço político construído por Michelle Bolsonaro dentro do PL em um momento de tensão com Flávio Bolsonaro e parte da direção do partido. Em outras palavras, uma indicação da vereadora significaria uma vitória da estratégia defendida por Michelle para ampliar a participação feminina nas principais disputas eleitorais.
A hipótese de Priscila Costa na vice-presidência diz menos sobre a composição de uma chapa e mais sobre a reorganização das forças da direita. O Ceará, que já vinha ocupando espaço relevante nas articulações nacionais, pode se tornar um dos principais laboratórios políticos do bolsonarismo em 2026.
E isso ajuda a explicar por que uma vereadora de Fortaleza passou a ser observada com atenção em Brasília. A disputa pelo poder já deixou de olhar apenas para os estados e passou a usar os estados para definir os rumos da eleição presidencial.
