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Trump declara fim da trégua com o Irã e ameaça novos ataques

A declaração foi feita durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, realizada em Ancara, na Turquia

Foto: Doug Mills/The New York Times

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 8, que considera encerrado o acordo temporário de cessar-fogo firmado com o Irã, após uma nova escalada militar envolvendo os dois países. A declaração foi feita durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, realizada em Ancara, na Turquia. As informações são do jornal O Globo.

Horas depois de forças americanas realizarem novos bombardeios contra posições iranianas, Teerã respondeu com ataques direcionados a instalações militares dos EUA localizadas no Bahrein e no Kuwait. Em seguida, Trump indicou que poderá autorizar novas ofensivas ainda nesta noite e não descartou retomar medidas de bloqueio contra os portos iranianos.

Segundo o presidente americano, as ações militares recentes atingiram duramente alvos estratégicos do Irã. Ele também afirmou que Washington poderá ampliar a ofensiva caso considere necessário, reforçando que não acredita mais na efetividade do entendimento firmado entre os dois países.

Trump declarou ainda que os Estados Unidos possuem capacidade para atingir infraestruturas consideradas essenciais para o funcionamento do país persa, citando instalações energéticas e pontos estratégicos de logística. O republicano também voltou a acusar o governo iraniano de buscar capacidades nucleares militares.

A tensão aumentou após os Estados Unidos atacarem mais de 80 alvos iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, radares, centros de comando, lançadores de drones e embarcações ligadas à Guarda Revolucionária. Autoridades iranianas informaram que ao menos oito oficiais morreram durante a operação.

De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), os ataques tiveram como objetivo impor custos ao governo iraniano diante das ações realizadas contra embarcações que trafegam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo e gás.

Em resposta, a Guarda Revolucionária anunciou ataques contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait, além da derrubada de um drone militar dos EUA. O governo kuwaitiano informou ter interceptado mísseis e drones lançados pelo Irã, registrando danos pontuais na infraestrutura elétrica do país.

O agravamento da crise também atingiu o setor energético. O governo americano revogou uma autorização temporária que permitia a comercialização de petróleo e derivados iranianos no mercado internacional, medida que volta a restringir a capacidade de exportação de Teerã.

Autoridades iranianas classificaram a decisão como uma violação do acordo firmado anteriormente entre os dois países. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as ações de Washington tornaram inviável a continuidade das negociações e prometeu adotar medidas para defender os interesses nacionais.

O Parlamento iraniano também reagiu. O presidente da Casa, Mohammad Bagher Qalibaf, acusou os Estados Unidos de descumprirem compromissos assumidos e afirmou que o país não cederá diante das pressões externas.

Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação o avanço do conflito. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, considerou os ataques americanos necessários, enquanto representantes da União Europeia alertaram para os riscos de uma escalada ainda maior na região.

A nova onda de confrontos também teve reflexos imediatos nos mercados. O preço do petróleo registrou forte alta, investidores passaram a demonstrar maior cautela e parte das embarcações que utilizam o Estreito de Ormuz suspendeu temporariamente suas rotas diante das preocupações com a segurança da navegação.

Apesar do cenário de tensão, negociadores dos dois países ainda mantêm a expectativa de retomar as conversas diplomáticas após o encerramento das cerimônias fúnebres do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. As futuras negociações deverão abordar temas como a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, a liberação de ativos iranianos e o programa nuclear do país.

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