O afastamento temporário de Luizianne Lins para uma cirurgia coincidiu com um dos momentos mais delicados da montagem da chapa governista.
Oficialmente, trata-se de uma questão de saúde, mas nos bastidores a coincidência alimenta especulações de que o adiamento da convenção da federação PSOL/Rede poderia dar mais tempo para as negociações com o PT, evitando que uma candidatura ao Senado fosse oficializada antes da definição da chapa governista.
Não há confirmação pública de que essa tenha sido a motivação, mas o fato de essa leitura ganhar força mostra o tamanho da disputa pela segunda vaga ao Senado.
A cautela faz sentido do ponto de vista político. Caso a federação homologasse antecipadamente o nome de Luizianne, o PT poderia se sentir menos pressionado a acomodá-la na chapa majoritária, já contando com o apoio do PSOL/Rede ao projeto de reeleição de Elmano.
Ao manter o calendário em aberto, a negociação também permanece viva. O próprio presidente estadual da Rede, Wesley Diógenes, já reforçou que Luizianne disputará o Senado de qualquer maneira, seja integrada à chapa governista ou em candidatura própria da federação, caso não haja acordo.
Essa posição fortalece o poder de barganha da ex-prefeita. Seu nome aparece entre os mais competitivos nas sondagens internas do campo governista e se tornou um ativo relevante nas conversas com PT, PSB e MDB, que também disputam espaço na composição final.
Domingos Filho aparece tanto como opção para vice quanto para o Senado. Eunício Oliveira também transita entre essas duas possibilidades. Isso demonstra que nenhuma peça está completamente fixa e ajuda a explicar por que a definição envolvendo Luizianne ainda não foi encerrada.
Na Pesquisa Real Time Big Data que saiu neste mês, Luizianne aparece com 14% das intenções de voto, em um cenário liderado por Cid Gomes com 26% e Capitão Wagner com 22%. Como sabemos, a escolha não é apenas de um nome, mas de equilibrar interesses partidários, representatividade e potencial eleitoral em uma disputa que promete ser bem apertada.
Se houve estratégia ou apenas coincidência, só os protagonistas sabem até então. Mas, neste momento, o tempo também virou um instrumento de negociação. Agora, quem será que está no controle?
