Home 1 Minuto com Sérgio Machado Ausências, coligações de ocasião e uma campanha sem debates construtivos

Ausências, coligações de ocasião e uma campanha sem debates construtivos

Capitão Wagner (União Brasil), aliado de Ciro na chapa oposicionista, já faltou a três sabatinas em duas semanas. A assessoria dele alegou conflito de agenda e viagens ao interior, o que é, no mínimo, irônico

Foto: Jefferson Rudy/Ag. Senado | Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Reprodução | Rogério Lessa/Alece

Enquanto os candidatos ao Governo do Ceará já debateram ao vivo, com trocas de acusações e tudo mais, no Senado a história é outra.

Capitão Wagner (União Brasil), aliado de Ciro na chapa oposicionista, já faltou a três sabatinas em duas semanas. A assessoria dele alegou conflito de agenda e viagens ao interior, o que é, no mínimo, irônico, já que é justamente o eleitor do interior que fica sem ver o candidato explicar suas propostas. Seu colega de chapa, Alcides Fernandes (PL), também faltou a sabatina.

E a desorganização não é só de agenda. Puxando o fio das alianças, a chapa de Ciro parece um mosaico de acordos que não se sustentam fora do Ceará.

André Fernandes (PL-CE), que articulou o apoio do PL a Ciro, teve que negar publicamente, mais de uma vez, que essa aliança estadual significasse qualquer apoio de Ciro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. O próprio Ciro, enquanto fechava com o PL cearense, chegou a dizer que poderia apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) para o Planalto.

A costura interna do PL nacional até rachou. Michelle Bolsonaro criticou publicamente a aproximação de André Fernandes com Ciro. Flávio bateu de frente com a madrasta, em defesa do deputado cearense, e ficou a cena de uma aliança que funciona localmente, mas não resiste a um teste em Brasília.

E parte do que hoje é aliança já foi rusga pública. Capitão Wagner e os irmãos Gomes trocaram acusações em 2011, no episódio da greve da PM, quando Wagner era voz da categoria e Cid Gomes governava o Estado.

Passada mais de uma década, o desafeto virou chapa, mas cada um segue fazendo campanha do seu jeito, sem muita sincronia nem discurso comum. Some a isso os suplentes por sobrenome (Prisco Bezerra, irmão de Roberto Cláudio, e Lúcio Gomes, irmão do próprio Ciro).

O quadro que se desenha é de um grupo unido mais pela conveniência eleitoral do que por um projeto compartilhado.

Do lado governista, também existem tensões. Luizianne Lins (Rede) já teve suas divergências com Chagas, Cid e Camilo antes do acordo que os colocou no mesmo projeto político, mas até aqui elas não impediram de aparecerem juntos com Elmano nos palanques, nas fotos e nas ruas.

Minha curiosidade é saber como vai ser quando a eleição passar. Quais dessas alianças seguirão em pé?

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