A nova Quaest oferece uma fotografia favorável a Ciro Gomes. Ele aparece com 43% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 33% de Elmano de Freitas, e venceria um eventual segundo turno por 48% a 35%.
É uma vantagem política importante e seria um erro minimizá-la, mas também seria precipitado transformar uma pesquisa realizada entre 24 e 28 de julho em resultado antecipado de outubro.
Na pergunta espontânea, quando o eleitor não recebe uma lista de candidatos, Ciro cai para 15%, Elmano marca 13% e 70% ainda se declaram indecisos. Além disso, 48% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de escolha.
Ciro chega a esse momento com uma oposição mobilizada há mais tempo, uma candidatura nacionalmente conhecida e uma campanha que conseguiu ocupar o debate político antes da largada formal.
Eduardo Girão também está em movimento desde o ano passado, quando lançou sua pré-candidatura, mas seus números mostram como o quadro ainda varia. Ele marcou 7% no Real Time Big Data de meados de julho e 3% na última Quaest. Essa diferença reforça que pesquisas com metodologias e momentos distintos registram tendências, não votos depositados na urna.
Elmano aparece atrás na disputa estimulada, mas conserva ativos que ainda entrarão de forma mais intensa na campanha. A Quaest mostra que 52% aprovam seu governo, enquanto 33% desaprovam, e 37% avaliam a gestão positivamente.
O levantamento também foi concluído antes da convenção governista com Lula, que acontece hoje, e da entrada plena do palanque nacional na eleição cearense. Com Lula registrando 55% no Estado, o impacto dessa associação sobre a candidatura de Elmano ainda precisará ser medido depois do início efetivo da campanha, da propaganda eleitoral e da apresentação mais clara das chapas.
Há ainda uma mudança no ambiente externo. A Copa do Mundo terminou em 19 de julho e, superada a principal disputa pela atenção popular nas últimas semanas, as eleições tendem agora a ocupar mais espaço no cotidiano, no noticiário e nas conversas dos eleitores. É justamente nesse período que discursos serão testados, alianças precisarão ser explicadas e a rejeição de cada candidato poderá pesar tanto quanto a intenção de voto atual.
A Quaest colocou Ciro na liderança e acendeu um alerta para Elmano, mas o dado mais revelador talvez esteja fora da manchete. Quando sete em cada dez eleitores não conseguem citar espontaneamente seu candidato, intenção de voto ainda está longe de significar voto cristalizado.
