Home Justiça Eleitoral Flávio Bolsonaro defende uso de IA na política em manifestação ao TSE

Flávio Bolsonaro defende uso de IA na política em manifestação ao TSE

Os advogados argumentam que a tecnologia passou a integrar os instrumentos disponíveis na comunicação política e que sua retirada completa desse ambiente seria inviável

Foto: Reprodução/YouTube

A defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta segunda-feira, 10, uma nova manifestação sobre o uso de inteligência artificial durante o período eleitoral. Os advogados argumentam que a tecnologia passou a integrar os instrumentos disponíveis na comunicação política e que sua retirada completa desse ambiente seria “inviável”.

O documento complementa uma manifestação encaminhada à Corte Eleitoral no mês passado. Segundo a defesa, não é “constitucionalmente legítimo presumir” que qualquer utilização de inteligência artificial represente fraude ou tentativa de interferência irregular na decisão dos eleitores.

“Fantoches, animações, caricaturas, avatares, dublagens, charges, personagens digitais e representações gráficas sempre integraram a comunicação política. A inteligência artificial apenas ampliou os recursos técnicos disponíveis”, diz o parecer.

A manifestação foi apresentada antes de uma reunião entre ministros do TSE que deve discutir o vídeo falso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) exibido durante um evento partidário de Flávio Bolsonaro. A Federação Brasil da Esperança, responsável por levar o caso à Justiça Eleitoral, aponta possível propaganda eleitoral antecipada e utilização irregular de inteligência artificial.

A situação também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes ainda não decidiu se houve descumprimento de medida cautelar por parte do ex-presidente, mas já ressaltou que as normas eleitorais proíbem o uso de deepfake.

Nos bastidores do TSE, existe a expectativa de que o debate possa resultar em medidas mais rígidas sobre o emprego da inteligência artificial na propaganda política ou até na aplicação de multa contra Flávio Bolsonaro. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, já havia indicado a interlocutores o entendimento de que o deepfake não deveria ser proibido quando não fosse utilizado com a finalidade de prejudicar alguém.

A regulamentação do TSE, entretanto, estabelece restrições ao uso desse tipo de recurso. A norma proíbe conteúdo sintético em áudio, vídeo ou na combinação dos dois formatos quando utilizado “para prejudicar ou para favorecer candidatura” e que tenha sido “gerado ou manipulado digitalmente, ainda que mediante autorização, para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia”.

Na manifestação apresentada à Corte, a defesa de Flávio também argumentou que o emprego de inteligência artificial em campanhas não depende de autorização prévia. Segundo os advogados, o próprio TSE regulamentou a tecnologia estabelecendo “o critério inafastável da transparência, vedando-se a ferramenta unicamente quando utilizada como instrumento de criação e difusão do falso qualificado”.

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