A política também se compreende pelos números. E, quando esses números são organizados, comparados e analisados ao longo do tempo, ajudam a contar a história de uma região, revelando mudanças, permanências, novas lideranças e a força de determinados grupos políticos.
É com esse propósito que o Repórter Ceará inicia, nesta quarta-feira, uma série especial de matérias dedicada a comparar os resultados das eleições de 2018 e 2022 nos 14 municípios do Sertão Central. Mais do que apresentar listas de candidatos e respectivas votações, a iniciativa procura transformar os dados das urnas em informação capaz de ajudar o leitor a compreender a dinâmica política regional.
O levantamento oferece um ponto de partida importante para a leitura das eleições de 2026. Ao colocar lado a lado dois pleitos, separados por quatro anos, torna-se possível observar quem manteve presença entre os mais votados, quem perdeu espaço, quem surgiu como nova força eleitoral e quais mudanças ocorreram na distribuição dos votos.
Na disputa para deputado federal, cinco dos dez nomes mais votados em 2018 permaneceram no grupo dos dez primeiros em 2022. No caso da Assembleia Legislativa, também houve cinco repetições entre os dez mais votados.
Os números mostram ainda movimentos que merecem atenção. Em 2018, Genecias Noronha liderou a votação para deputado federal nos 14 municípios analisados, com 23.595 votos. Em 2022, sem a candidatura do pai à reeleição, Matheus Noronha assumiu a primeira posição, com 31.570 votos. A mudança ilustra, de maneira objetiva, como a transferência de capital político dentro de uma família pode aparecer nas urnas.
Também chama atenção o desempenho de Guimarães, que passou de 21.196 votos em 2018 para 28.040 em 2022, mesmo descendo da segunda para a terceira colocação no ranking.
Na Assembleia Legislativa, Osmar Baquit manteve a liderança nos dois pleitos. Foram 18.093 votos em 2018 e 28.184 em 2022. Ao mesmo tempo, o ranking registrou a chegada de novos nomes e a saída de candidatos que haviam ocupado posições de destaque quatro anos antes.
Essas mudanças ajudam a demonstrar que eleição não é uma fotografia parada. É movimento. Os redutos eleitorais podem mudar, alianças podem ser reorganizadas, lideranças podem crescer ou perder espaço e novos nomes podem conquistar territórios antes dominados por outros grupos.
É justamente aí que está a importância desta série especial do Repórter Ceará.
Ao recuperar os resultados de 2018 e 2022, o portal cria uma espécie de memória eleitoral do Sertão Central. O trabalho permite que prefeitos, lideranças políticas, partidos, candidatos, jornalistas e, principalmente, os eleitores tenham uma base concreta para acompanhar a evolução do comportamento das urnas.
A comparação também ganha relevância diante de 2026. Os resultados anteriores não determinam o futuro, mas oferecem elementos para compreender o ponto de partida. O cenário atual precisa ser observado à luz das votações anteriores, das mudanças políticas ocorridas nos municípios, da formação de novos grupos e dos apoios que estão sendo anunciados para a próxima eleição.
Outro aspecto que merece atenção é a possibilidade de identificar sucessões políticas e familiares, a formação de novos redutos eleitorais e a permanência de determinadas lideranças ao longo dos pleitos. São movimentos que, quando analisados município por município, ajudam a revelar uma realidade muito mais complexa do que aquela apresentada por uma simples lista de candidatos mais votados.
Os próprios números gerais reforçam essa transformação. Entre os dez primeiros colocados para deputado federal, a soma das votações passou de 144.288 votos em 2018 para 180.402 em 2022. Para deputado estadual, o total avançou de 100.293 para 131.548 votos no mesmo recorte.
Esses números não explicam sozinhos o comportamento eleitoral, mas oferecem pistas importantes. E é justamente o papel do jornalismo transformar essas pistas em informação organizada, contextualizada e compreensível.
A série que começa hoje no Repórter Ceará tem, portanto, uma contribuição que vai além da cobertura da eleição passada. Ela ajuda a preservar a memória política do Sertão Central e, ao mesmo tempo, estabelece uma base para acompanhar o que poderá acontecer em 2026.
Nas próximas matérias, a análise município a município deverá permitir enxergar ainda melhor essas mudanças: quem cresceu, quem perdeu espaço, quais lideranças consolidaram seus votos, onde surgiram novos redutos e como os apoios políticos atuais poderão dialogar com o histórico das urnas.
Em tempos de muita informação e, muitas vezes, pouca memória, olhar para os números é uma maneira responsável de entender a política.
O Repórter Ceará acerta ao apostar nesse levantamento e ao oferecer ao público uma leitura comparativa da história eleitoral recente do Sertão Central. É jornalismo de dados, memória e contexto, elementos fundamentais para que o eleitor possa acompanhar, com mais informação, o caminho que leva às urnas de 2026.






