Entre as eleições de 2018 e 2022, Osmar Baquit acrescentou 10.091 votos ao seu desempenho nos 14 municípios do Sertão Central analisados pelo levantamento feito pelo Repórter Ceará. O deputado saiu de 18.093 para 28.184 votos, uma alta de 55,8%. Por trás desse crescimento, porém, há uma mudança na distribuição territorial de sua votação.
Os dados mostram que o saldo positivo não foi resultado de um crescimento uniforme pela região. Pelo contrário: Pedra Branca, Quixeramobim, Ibaretama e Quixadá foram responsáveis por acrescentar 12.873 votos à votação de Baquit. Nas outras dez cidades, consideradas em conjunto, houve uma redução de 2.782 votos. É essa diferença que resulta nos 10.091 novos votos registrados entre uma eleição e outra.
Pedra Branca apresenta a maior mudança. Baquit recebeu apenas 69 votos no município em 2018. Quatro anos depois, chegou a 6.215, um acréscimo de 6.146 votos.
A alteração não ocorreu somente na quantidade. Em 2018, Aderlania Noronha havia liderado a votação para deputado estadual em Pedra Branca, com 5.077 votos. Baquit ocupava uma posição distante dos primeiros colocados. Em 2022, passou a ser o candidato mais votado no município.
Sozinha, Pedra Branca respondeu por mais da metade do crescimento líquido de 10.091 votos registrado pelo deputado na região.
Quixeramobim também muda de posição no mapa de Baquit
O segundo maior acréscimo veio de Quixeramobim. Baquit havia recebido 4.234 votos no município em 2018, quando terminou atrás de outros candidatos na disputa local. Em 2022, chegou a 8.323 votos e passou para a primeira colocação. A diferença foi de 4.089 votos.
Pedra Branca e Quixeramobim, portanto, respondem juntas por 10.235 votos adicionais. O número, sozinho, já supera todo o crescimento líquido registrado pelo deputado nos 14 municípios. Isso acontece porque parte do avanço obtido nessas cidades foi compensada por reduções em outros pontos da região.
Quixadá mantém peso na votação
Se Pedra Branca e Quixeramobim representam mudanças no mapa eleitoral de Baquit, Quixadá mostra uma situação de continuidade.
O deputado já havia sido o candidato estadual mais votado no município em 2018. Naquele ano, recebeu 7.814 votos. Em 2022, manteve a primeira colocação e chegou a 9.066. Foram 1.252 votos adicionais.
Quixadá continuou sendo, em números absolutos, o município que mais deu votos a Baquit em 2022. A diferença é que o peso da cidade passou a ser acompanhado por votações maiores em outros municípios.
Em Ibaretama ocorreu outro acréscimo. Baquit passou de 1.491 votos em 2018 para 2.877 em 2022, diferença de 1.386 votos. No segundo pleito, também terminou como o candidato estadual mais votado na cidade.
Crescimento ficou concentrado em quatro municípios
Quando os quatro municípios são analisados em conjunto, a mudança fica mais evidente. Em 2018, Quixadá, Quixeramobim, Pedra Branca e Ibaretama somaram 13.608 votos para Osmar Baquit. Em 2022, passaram a representar 26.481. A diferença foi de 12.873 votos.
Enquanto isso, os outros dez municípios analisados fizeram o movimento contrário. A soma caiu de 4.485 votos em 2018 para 1.703 em 2022, redução de 2.782. Assim, embora o resultado regional de Baquit tenha crescido 55,8%, sua votação também ficou mais concentrada.
Em 2018, os quatro municípios respondiam por aproximadamente 75% dos votos do deputado no recorte regional. Em 2022, passaram a representar cerca de 94%. O dado ajuda a explicar não apenas de onde vieram os 10 mil novos votos, mas como a composição da votação mudou entre as duas eleições.
Baquit permaneceu na primeira posição do ranking regional nos dois pleitos, mas chegou a 2022 dependendo proporcionalmente mais de um conjunto específico de municípios. Pedra Branca foi a principal novidade desse mapa, enquanto Quixeramobim ampliou seu peso e Quixadá manteve uma votação que já era elevada quatro anos antes.
- Esta é a terceira matéria de uma série de reportagens especiais produzidas pelo Repórter Ceará que vão detalhar os números, apresentar comparativos e mostrar, município a município, como o cenário eleitoral se comportou no intervalo de quatro anos, revelando sucessões familiares, a busca por novos redutos eleitorais e analisando a possibilidade do cenário para 2026 levando em consideração os apoios formais de prefeitos e prefeitas a candidatos específicos. Confira a segunda AQUI.






